Centrão prepara pacote da vingança contra ‘faxina’ de Lula e Gleisi
Desde a semana passada, o Planalto iniciou uma faxina em cargos comandados por siglas como PP, União Brasil, PSD, MDB e Republicanos
Integrantes do Centrão preparam a aprovação de uma espécie de pacote da vingança para retaliar o governo Lula pela exoneração em massa de integrantes do segundo e terceiros escalões.
Nesse pacotão, estão incluídas medidas que vão desde a derrubada de um decreto que amplia poderes da primeira-dama Janja, ao lhe conceder acesso irrestrito à estrutura pessoal da Presidência da República; o esvaziamento da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada pelo Palácio do Planalto de reforma do sistema de segurança pública e até a aprovação da anistia a Jair Bolsonaro nos moldes defendidos pelos aliados do ex-presidente.
Além disso, cresceu um movimento no Congresso para se convocar o vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico. Frei Chico é irmão do presidente Lula. Outra medida para retaliar o governo é a derrubada do veto parcial do presidente da República à Lei Geral do Licenciamento Ambiental. A proposta está na pauta da sessão do Congresso Nacional desta quinta-feira, 16.
Desde a semana passada, o Planalto iniciou uma faxina em cargos comandados por siglas como PP, União Brasil, PSD, MDB e Republicanos. A expectativa do Planalto é que o “passaralho” atinja pelo menos 100 funções comissionadas de segundo e terceiros escalões.
O governo Lula decidiu exonerar os indicados políticos com alguma vinculação com deputados que votaram contra a MP 1303, que estabelecia a cobrança de impostos em fundos de investimentos. O prejuízo, segundo o Planalto, chegou a aproximadamente 35 bilhões de reais em 2025 e 2026.
O ‘passaralho’ atingiu aliados do presidente do PP, Ciro Nogueira, integrantes do União Brasil, e até membros do PSD, de Gilberto Kassab.
Entre as exonerações que já foram confirmadas, estão cargos na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf); no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e em superintendências do Ministério da Agricultura.
Ao longo desta terça-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), passou a ser pressionado por integrantes do Centrão para que sejam pautados os projetos de decreto legislativos (PDL’s) apresentados pela oposição com o objetivo de sustar uma mudança na estrutura do Palácio do Planalto para favorecer a primeira-dama. Até o fechamento desta reportagem, foram apresentadas 15 iniciativas neste sentido.
Sobre a PEC da segurança, o Centrão tem defendido mudanças no substitutivo apresentado pelo governo federal principalmente no aspecto relacionado à centralização das políticas públicas destinadas ao setor.
Até então colocada de molho, a anistia a Jair Bolsonaro voltou a ganhar força essa semana. Apesar de não ser bem vista por integrantes do Centrão, a aprovação de um substitutivo para conceder perdão irrestrito ao ex-presidente passou a ser cogitado como forma de dar um recado ao governo Lula de que o Palácio do Planalto está, nas palavras de um líder, “contando votos”.
A expectativa é que o texto seja apresentado pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) na semana que vem. Paulinho deve apresentar um PL da Dosimetria, mas o Centrão passou a ventilar a ideia de apoiar um substitutivo do PL pela anistia ampla e irrestrita.
O Centrão não reagiu bem ao “passaralho”. Nesta terça-feira, começou a haver um esvaziamento das atividades legislativas. Alguns líderes, inclusive, voltaram para as suas bases justamente pela falta de previsão de votações consideradas importantes para o governo federal. A revolta dos integrantes do Centrão com o governo não reside apenas na perda de cargos e funções comissionadas, mas pelo fato de que o Palácio do Planalto terceirizou a responsabilidade para o Congresso de falhas que foram atribuídas à ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
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Comentários (4)
Maglu Oliveira
16.10.2025 06:59Mais uma vez os políticos mostram que estão ali para tratar de interesses pessoais seus e de seus aliados e nunca, mas nunca mesmo, do Brasil e dos brasileiros. Livrar a cara do criminoso Bolsonaro para vingar-se do governo é um tapa na nossa cara que há tempos lutamos pela condenação desse bandido. Como alguém pode ter esperança que alguma coisa vai mudar naquela Gaiola das Loucas e no Brasil? A nossa elite política e jurídica vive de vingança em vingança e do dinheiro que conseguem, cada vez mais, surrupiar do povo.
Márcio Roberto Jorcovix
15.10.2025 19:20Estes bolsominiuns não perdem uma oportunidade de tentar salvar a pele do Bozo apesar de todo o mal que este cara e família fazem para o Brasil
Fabio B
15.10.2025 08:27Quando colocam "anistia de Bolsonaro" no meio enfraquece bastante.
Marcia Elizabeth Brunetti
15.10.2025 07:46Tinham que ter ferrado o Lula faz tempo. Se o Centrão fosse íntegro já deveria ter tomado as atitudes bem antes, não como vingança.