Alexandre Borges na Crusoé: França partida
O mundo observa o crepúsculo do centrismo progressista e globalista, que apostou em Macron e perdeu
A França atravessa a maior crise institucional da Quinta República.
O modelo criado por Charles de Gaulle para devolver estabilidade ao Estado enfrenta uma fragmentação sem precedentes, um impasse orçamentário incômodo e uma reconfiguração radical do sistema partidário.
A erosão do centro progressista expôs a distância entre elites globalistas, pressentidas por Honoré de Balzac dois séculos antes, e a França real.
O francês viu com horror seus cafés e bistrôs serem engolidos pela Starbucks e pelo McDonald’s, suas charmosas livrarias serem fechadas pela Amazon, enquanto ele era jogado no desemprego e ridicularizado na mídia, descartado em troca de imigrantes importados em massa para baratear custos e deixar bilionários ainda mais ricos.
O resultado é um reordenamento do tabuleiro que favorece a direita populista e redefine o poder num dos pilares da Europa.
Quando Gérard Depardieu, o Cyrano que encarnou por décadas a alma francesa nas telas, renunciou à cidadania em 2013, ficou claro que algo estava profundamente em crise no país.
Fugindo dos impostos de 75% de Hollande, o ator preferiu Putin a Macron, um gesto dramático que simboliza a ruptura entre a alma francesa e as elites progressistas. Como Depardieu disse ao Le Monde, “amo meu país, mas não reconheço mais seus governantes”.
Como funciona o sistema francês
A Quinta República foi instituída em 1958, para encerrar a instabilidade crônica da Quarta República.
O desenho é, na prática, semipresidencialista: um presidente eleito com poder de dissolver a Assembleia Nacional, e um primeiro-ministro que depende da confiança parlamentar.
Na França, a Assembleia Nacional (Assemblée nationale) é a câmara baixa do Parlamento francês, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil.
Ela tem 577 deputados, eleitos por voto direto…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)