Iluminação e urbanização contra facções criminosas? “PreVio” insiste no fracassado “Pacto por um Ceará pacífico”
Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em 2025, o Ceará registrou mais de duas mil vítimas de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs)
Em resposta à onda de violência que assola o Ceará, a vice-governadora Jade Romero (PT), que também ocupa o cargo de secretária da Proteção Social, se pronunciou nesta segunda-feira, 6 de outubro, sobre os desafios enfrentados na prevenção de crimes violentos, incluindo homicídios.
De acordo com a vice-governadora “as ações de prevenção estão ligadas à qualificação profissional, a equipamentos para crianças, jovens”.
Dentre os exemplos citados por Jade Romero estão “iluminação e urbanização, que também impactam na Segurança Pública”.
Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em 2025, o Ceará registrou mais de duas mil vítimas de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), sendo aproximadamente 600 ocorrências somente em Fortaleza.
O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, tentou justificar os dados alarmantes enfatizando que a violência é um desafio que transcende a capital cearense, afetando todo o Brasil.
A SSPDS destacou que o Comitê Municipal para Prevenção à Violência é parte integrante da estrutura de governança do programa PreVio:
“Este Comitê traz uma abordagem transversal capaz de transformar a vida das pessoas em um ambiente cada vez mais seguro e pacífico”, afirmou Roberto Sá, secretário da SSPDS.
As declarações dos gestores ocorreram durante a cerimônia de posse do novo Comitê Municipal de Fortaleza para Prevenção à Violência, realizada no Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca) da Barra do Ceará.
O Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência (PreVio) foi lançado como uma extensão do Pacto por um Ceará Pacífico.
“Pacto por um Ceará Pacífico”
O “Pacto por um Ceará Pacífico” é uma política pública lançada em 2015 pelo governo do estado do Ceará, durante a gestão do então governador Camilo Santana (PT), com o objetivo de construir uma cultura de paz por meio de ações integradas em áreas como educação, saúde, assistência social, emprego, cultura e prevenção à violência.
O programa envolveu parcerias intersetoriais e focava principalmente em medidas preventivas, como projetos sociais em comunidades vulneráveis, visando reduzir índices de criminalidade a longo prazo sem confronto direto com o crime organizado.
O pacto tem recebido críticas significativas de pesquisadores, especialistas em segurança pública e analistas, especialmente no que diz respeito à sua ineficácia em combater as facções criminosas que se fortaleceram no estado a partir da década de 2010.
Essas críticas apontam que o programa, ao enfatizar a prevenção social em detrimento de ações repressivas mais robustas e coordenadas contra o crime organizado, não só falhou em conter o avanço das facções como pode ter indiretamente contribuído para seu empoderamento, permitindo que elas assumissem o controle de territórios impondo sua própria “ordem”.
Uma das principais críticas é que o pacto priorizou ações sociais e intervenções comunitárias, mas em escala limitada, sem equivaler ao investimento necessário para confrontar diretamente as facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV), Guardiões do Estado (GDE) e Família do Norte (FDN).
O negacionismo do Governo
O governo inicialmente negou a relevância dessas organizações criminosas, atribuindo reduções nos homicídios (como em 2016) a políticas estatais, mas especialistas afirmam que a “paz” foi imposta pelas próprias facções por meio de acordos internos, não por inovações na segurança pública.
Essa negação inicial, seguida de recuos em ondas de violência anteriores (como em 2016 e 2017, quando o governo cedeu a demandas como a separação de presos por facção), demonstrou fraqueza estatal e incentivou a ousadia dos grupos, que se uniram temporariamente contra o “inimigo comum” – o governo – em ataques coordenados, como os 283 incidentes em 2019 que incluíram queima de ônibus e explosões.
A abordagem do pacto, ao evitar um confronto mais agressivo inicial, permitiu que as facções se fortalecessem territorialmente e economicamente, dominando o tráfico de drogas e recrutando jovens vulneráveis nas periferias (os chamados “nem-nem-nem”: que não estudam, não trabalham nem se integram socialmente).
Leia também: Facções criminosas ameaçam “tomar o Ceará”
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Comentários (1)
Fabio B
07.10.2025 14:43As facções tomando territórios, avançando, tal qual um estado estrangeiro, com leis próprias, expulsando e escravizando a população, e a resposta do governo é fazer a pombinha da paz?