Quatro intervenções que podem melhorar a saúde do seu cérebro
Pesquisa comprova a eficácia de quatro modificações diárias – simples e baratas – para retardar o envelhecimento cerebral
É possível retardar o envelhecimento cerebral e melhorar as funções cognitivas de adultos e idosos? Em um artigo que recém-publicado (2025), Baker et al. reportaram os achados de um extenso programa de intervenção: “Study design and methods: U.S. study to protect brain health through lifestyle intervention to reduce risk” (U.S. POINTER). A pesquisa incluiu 2.111 adultos, com uma média de 68 anos de idade, todos considerados em situação de risco para o desenvolvimento de declínio cognitivo ou demência.
Os resultados confirmaram a hipótese de que mudanças comportamentais e alterações no estilo de vida podem gerar melhorias significativas no desempenho cognitivo. O estudo, conduzido nos Estados Unidos, comparou as abordagens estruturadas e autoguiadas para aumentar a resiliência cerebral e oferecer proteção contra a diminuição das capacidades mentais em idades avançadas.
O receio de perder a memória ou desenvolver doenças o Alzheimer é compreensível. O estudo POINTER estabelece que o declínio cognitivo na idade adulta tardia não precisa ser tratado como um desfecho inevitável. Para atingir este benefício, os pesquisadores enfatizam a necessidade de uma abordagem que envolva múltiplos domínios da saúde.
A chamada “abordagem multidomínio”
A intervenção foi desenhada com base no princípio de que a diminuição das funções mentais está, em parte, ligada à saúde cardiovascular. O cérebro requer um fornecimento constante de sangue para manter as células vivas, e a aptidão física auxilia o coração a cumprir essa função.
O programa de dois anos combinou aspectos de dieta, exercício e engajamento social em um pacote de treinamento. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um que recebia a intervenção pessoalmente por uma equipe de treinamento (estruturado) e outro que levava as atividades para realizar em casa (autoguiado).
Um dos achados mais significativos do estudo foi a eficiência do treinamento autoguiado. Embora o grupo estruturado tenha apresentado uma melhoria marginalmente superior, o grupo que se autogeriu alcançou quase o mesmo nível de benefício cognitivo.
A abordagem autoguiada exige apenas uma fração do engajamento em comparação com a intervenção presencial. O editor do jornal onde o estudo foi publicado destacou essa semelhança: “Em vez da diferença, a descoberta mais marcante é talvez a semelhança dos benefícios cognitivos em ambos os grupos, apesar de o grupo autoguiado exigir apenas uma fração do engajamento e das intervenções”.
Quatro estratégias para preservar e melhorar a saúde cerebral
A composição do treinamento provou a eficácia das intervenções cognitivas e demonstrou que o método autoguiado é viável para impulsionar o desempenho mental. O núcleo da pesquisa se concentrou em quatro mudanças no estilo de vida que os participantes deveriam adotar:
1. Adotara dieta MIND: a sigla MIND representa a Intervenção Mediterrânea-DASH para Atraso Neurodegenerativo. Essa dieta combina elementos saudáveis das dietas Mediterrânea e DASH. O consumo se concentra em grãos, nozes, frutos silvestres, peixes e vegetais, enquanto exige moderação na ingestão de doces, queijo, carne vermelha e alimentos fritos.
2. Praticar exercícios: o treinamento incluía atividades de intensidade moderada a alta e exercícios que exigem sustentação de peso. A inclusão de exercícios aeróbicos e de resistência demonstrou ser crucial para a saúde do coração e, consequentemente, para a saúde cerebral.
3. Realizar jogos cognitivos: os participantes tiveram acesso a recursos comerciais, mas atividades similares podem ser encontradas gratuitamente. O propósito é manter um engajamento mental contínuo, utilizando jogos de palavras ou quebra-cabeças visuais para motivação.
4. Promover interação social: ambos os grupos de intervenção estabeleceram alguma forma de contato com outros participantes ou líderes. Essa interação ajuda a manter a motivação, sendo que apenas seis reuniões foram suficientes para o grupo autoguiado demonstrar resultados positivos.
Os autores ressaltam que as melhorias cognitivas podem ser alcançadas sem a necessidade de suplementos caros, frequentemente anunciados para a memória. As mudanças nos hábitos alimentares, de exercício, e o aumento da interação social e mental oferecem uma recompensa na preservação da saúde e do bem-estar pessoal.
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