Ataque em sinagoga expõe avanço do antissemitismo no Ocidente

19.03.2026

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Ataque em sinagoga expõe avanço do antissemitismo no Ocidente

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Alexandre Borges
5 minutos de leitura 03.10.2025 05:32 comentários
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Ataque em sinagoga expõe avanço do antissemitismo no Ocidente

Colunista britânico afirma que violência em Manchester não foi isolada, mas consequência de ambiente de hostilidade que se espalha há anos

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Alexandre Borges
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Ataque em sinagoga expõe avanço do antissemitismo no Ocidente
Foto: Reprodução

O atentado diante da sinagoga Heaton Park, em Manchester, voltou a acender o alerta sobre o avanço do antissemitismo no Reino Unido e em outros países ocidentais.

O episódio, ocorrido no Yom Kippur e classificado pela polícia antiterrorismo como terrorismo, deixou dois mortos e três feridos graves.

A tragédia levou líderes políticos a reforçar a segurança em sinagogas e escolas judaicas, mas também abriu espaço para análises sobre a origem desse clima de violência.

Entre as reações, o escritor britânico Brendan O’Neill publicou nesta quinta, 2, no portal americano The Free Press, que o Reino Unido “virou um país onde judeus são mortos em seu local de culto”.

Para o colunista, o ataque não foi um ato isolado, mas resultado de uma onda crescente de hostilidade contra judeus que vinha sendo ignorada por autoridades e formadores de opinião.

O’Neill citou dados da Community Security Trust, entidade que monitora crimes de ódio no Reino Unido, segundo os quais os episódios de antissemitismo aumentaram 589% após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

No ano seguinte, foram registrados 4.103 incidentes, o maior número desde o início da série histórica.

Somente no primeiro semestre de 2025, a organização contabilizou 1.521 ocorrências, patamar 58% superior à média anterior a outubro de 2023.

No artigo, ele também relacionou agressões em ruas de Londres e ataques contra prédios judaicos a episódios mais recentes em outros países.

Em Boulder, no Colorado, uma idosa de 82 anos morreu após um ataque com coquetéis molotov em uma caminhada de apoio a reféns israelenses.

Em Washington, D.C., um casal de funcionários da Embaixada de Israel foi morto a tiros na saída de um evento comunitário, em crime classificado como ódio religioso pelas autoridades americanas.

Segundo o colunista, os sinais de radicalização vinham sendo minimizados e até ridicularizados. Pichações em sinagogas, humilhações contra judeus ortodoxos e agressões a crianças e idosos foram registrados em várias cidades britânicas sem que houvesse resposta firme do poder público.

Para O’Neill, “Heaton Park é um aviso” de que a escalada do antissemitismo pode corroer a segurança e a própria noção de civilização no Ocidente.

A longa história do antissemitismo no Reino Unido

O atentado em Manchester se inseriu em uma trajetória muito mais ampla da presença judaica no Reino Unido, marcada por séculos de perseguições, expulsões e reincidências de antissemitismo.

Pesquisas históricas mostram que os judeus chegaram à Inglaterra no século XI e logo enfrentaram massacres, como o de York em 1190, além de acusações falsas como o “libelo de sangue”, que surgiram ainda na Idade Média.

Em 1290, a comunidade judaica foi expulsa por decreto do rei Eduardo I, retornando apenas no século XVII, sob Oliver Cromwell.

Mesmo após a readmissão, os judeus foram submetidos a restrições legais e sociais, só superadas gradualmente no século XIX, com a emancipação civil e a possibilidade de ocupar cargos públicos.

Ondas de imigração vindas da Europa Oriental no início do século XX reacenderam campanhas de hostilidade, exploradas por movimentos fascistas.

Na década de 1930, a União Britânica de Fascistas, liderada por Oswald Mosley, promoveu atos antijudaicos, culminando na Batalha de Cable Street, em 1936, quando judeus e aliados antifascistas barraram uma marcha planejada pelo grupo em Londres.

Durante a Segunda Guerra Mundial, apesar da simpatia pelas vítimas do Holocausto, o governo britânico restringiu a entrada de refugiados judeus e manteve limites à imigração para a Palestina sob mandato britânico.

No pós-guerra, surtos de violência antijudaica ocorreram em 1947, após ataques de grupos sionistas contra soldados britânicos. A partir da década de 1960, a legislação contra discriminação racial ofereceu alguma proteção formal, mas grupos de extrema-direita continuaram a pregar teorias conspiratórias.

Nos últimos anos, relatórios da Community Security Trust (CST) mostram que a hostilidade voltou a crescer em ritmo acelerado, com recordes sucessivos de incidentes.

Em 2023, foram 4.103 registros de ataques ou ameaças, número quase três vezes maior que no ano anterior. O aumento coincidiu com os conflitos no Oriente Médio, refletindo a conexão entre política internacional e manifestações locais de ódio.

Pesquisas recentes também indicam que visões antissemitas se espalham entre jovens britânicos, em parte alimentadas por teorias conspiratórias e pelo discurso online.

A história mostra que o antissemitismo no Reino Unido nunca desapareceu por completo, apenas mudou de forma ao longo dos séculos.

O ataque em Manchester, ocorrido no Yom Kippur, é a continuidade desse ciclo: uma lembrança de que, mesmo em uma democracia consolidada, a comunidade judaica permanece alvo de violência recorrente.

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