Acaba o acordo automotivo entre Brasil e Colômbia
Com o fim do acordo automotivo Brasil-Colômbia, em vigor desde 2017, Brasil perde isenção para exportar 50 mil veículos por ano
A Colômbia decidiu não renovar o acordo automotivo com o Brasil, que vigorava desde 2017 e expirou no último dia 30, encerrando benefícios fiscais para exportações brasileiras de veículos leves e picapes.
Esse pacto permitia ao Brasil exportar até 50 mil veículos por ano para a Colômbia com alíquota zero. Agora esses veículos estarão sujeitos a tarifa de 16,1%.
O Brasil vendeu cerca de 750 milhões de dólares em veículos leves e picapes para a Colômbia em 2024, sendo esse mercado o terceiro mais importante para esse tipo de produto brasileiro, atrás apenas de Argentina e México.
Em 2025, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, as exportações brasileiras cobriram até agora 38.385 veículos dentro da cota vigente, restando 11.615 unidades até completar o limite anual, o que poderá se alongar até 2026.
Durante o ano passado, o governo colombiano já havia comunicado às autoridades brasileiras seu desinteresse em estender o acordo.
Houve negociações entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Gustavo Petro, com possibilidade de estender o acordo por um ano até que se chegasse a um novo tratado de livre-comércio.
Segundo o Estadão, durante a reunião técnica em Brasília, a Colômbia propôs reduzir a cota para 20 mil veículos por ano, além de controle unilateral da entrada, proposta que o setor produtivo brasileiro achou insustentável.
O fim do acordo torna os carros brasileiros menos competitivos na Colômbia, pressiona preços para importadores e consumidores de lá, e amplia os riscos para nossa indústria perder espaço para concorrentes estrangeiros.
Alguns países já têm acordos ou relações comerciais mais favoráveis com a Colômbia, como China, Coreia do Sul, União Europeia e Estados Unidos.
A mudança também agrava a concentração das exportações brasileiras em menos destinos, aumentando a dependência do mercado argentino, que já responde por mais da metade das nossas vendas estrangeiras de veículos.
As montadoras brasileiras avaliam que terão de rever estratégias de preço, volumes e custos logísticos para tratar a nova tarifa colombiana.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)