Trump impõe tarifas sobre madeira e móveis
Brasil não deve ser muito afetado, mas pelo pior motivo, por tarifa de 10% para madeira e de 25% para móveis importados anunciada por Trump.
Donald Trump anunciou novas tarifas de 10% sobre madeira importada e 25% sobre armários de cozinha, móveis estofados e outros produtos de madeira, que começam a valer a partir de 14 de outubro.
Essas taxas podem subir para 30% e 50%, respectivamente, em 2026, caso não haja acordos comerciais entre os EUA e cada país envolvido.
Ele fundamenta a decisão alegando que essas importações ameaçam a segurança nacional ao enfraquecer a indústria madeireira doméstica e comprometer cadeias críticas para defesa e infraestrutura.
Ao privilegiar negociações bilaterais, o governo americano define tetos mais brandos para países com tratados recentes, como a União Europeia, Reino Unido e Japão, para quem os encargos ficam limitados a um patamar de 10 a 15%.
O maior impacto imediato deverá ser no setor madeireiro canadense, já que o país é o maior fornecedor de madeira dos EUA e já anunciou auxílios de 870 milhões de dólares para seu setor florestal.
Algumas empresas canadenses sinalizam cortes temporários de produção por conta da queda de demanda e a incerteza nas exportações.
O mercado de madeira canadense já registrava queda nas cotações recentes, uma vez que já enfrenta outra série de tarifas anti subsídio e antidumping dos EUA, que deixava a madeira do seu país com encargos extras de até 35%.
Vietnã e México, que vinham ganhando participação no fornecimento de mobílias de madeira no espaço deixado pela China, também devem ser afetados.
Esse custo mais alto para importar madeira e móveis deverá impactar numa alta dos preços finais da construção de casas e do mobiliário, aumentando o risco de inflação e retração no setor de construção americano.
No caso do Brasil, o impacto dessa medida em particular deverá ser pequeno, mas não por um bom motivo: esses setores já estão sofrendo muito com a tarifação anterior, de 50%, implementada por Trump em agosto, levando a milhares de demissões que só crescem desde então, sobretudo nas regiões sul e sudeste.
Em 2024, o setor brasileiro de madeira exportou cerca de 1,6 bilhão de dólares aos EUA, segundo a Abimci, e o setor moveleiro, só entre janeiro a junho deste ano, exportou outros 374,2 milhões de dólares em móveis e colchões prontos para os EUA, de acordo com dados da Abimovel.
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