CPMI determina prisão de presidente da Conafer por falso testemunho
Essa foi a segunda prisão determinada pelo colegiado. Na semana passada, Rubens Oliveira, também foi detido por ordem da CPMI
O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi preso na madrugada desta terça-feira (30) durante sessão da CPMI do INSS.
Essa é a segunda prisão determinada pelo colegiado. Na semana passada, Rubens Oliveira, diretor financeiro de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo, o Careca do INSS, também havia sido detido.
Lopes pagou fiança e foi liberado ainda durante a madrugada. Mais precisamente às 4h da manhã.
Segundo integrantes da CPMI, Lopes mentiu ao longo da sessão desta segunda, que durou aproximadamente 9 horas. Ele foi apontado por Alfredo Gaspar, relator da CPMI, como um dos responsáveis por articular o esquema de desvios de aposentadorias e pensões por meio de descontos associativos.
Durante o depoimento, Lopes foi confrontado sobre suas relações com empresas que prestaram serviços à Conafer. Um exemplo foi a Santos Agroindustria Atacadista e Varejista, empresa que recebeu 100 milhões de reais da confederação. Segundo Gaspar, a empresa tem como dono Cícero Marcelino, que seria, na visão do colegiado, uma espécie de braço-direito do presidente da Conafer e operador dos desvios de descontos associativos.
“Hoje, a gente descobriu outro Maurício Camisotti, se chama Carlos Roberto Ferreira Lopes. Pelas mãos da Conafer passaram mais de R$ 800 milhões, aqui nós descobrimos que R$ 140 milhões foram direcionados diretamente para o assessor dele, Cícero Marcelino”, disse Gaspar.
“O Cícero nunca foi funcionário da Conafer. O Cícero sempre foi um fornecedor de bens e serviços da Conafer por mais de 15 anos. E pegou essa pecha aí de falar que era assessor – assessor são os egos da amizade, né? Como nós todos vimos aqui. É o querido, é o amigo”, rebateu Carlos Roberto Lopes.
“Foram produtos necessários para a realização dos feitos por essas entidades no Brasil todo. […] Nós tivemos locações de veículos, compra de sêmen, compra de insumos para realização de melhoramento genético, tivemos também fornecimento de brinquedos para o Natal de 23, 24, onde demos mais de 300 mil brinquedos para as crianças neste país. São vários insumos”, justificou o presidente da Conafer sobre sua relação com Cícero Marcelino.
Confronto
O senador Sergio Moro (União) confrontou o presidente da Conafer durante a CPMI do INSS.
Moro questionou se Lopes seria, de fato, o responsável pela entidade ou apenas um “laranja” de Cícero Marcelino, devido à falta de explicações sobre contratos milionários firmados com empresas privadas.
“O senhor administrava realmente a Conafer ou senhor é um laranja do senhor Cícero [Marcelino] ou alguma coisa parecida?”, questionou Moro.
Lopes:
“Eu sou o presidente da instituição.”
Moro:
O senhor não saber 100 milhões para a Santos Consultoria, 27 milhões para a Nobres Serviços, 64 milhões para Two Cars… pra mim é muito difícil de entender a sua falta de memória no momento.”
Lopes:
“Não é a falta de memória, não, nobre senador. É não ter a especificidade da informação, porém não estou aqui declinando a relação comercial com fornecedores. O produto está com os municípios atendidos, nobre senador.”
Governo Lula
Moro questionou expressivo aumento na arrecadação da entidade. O tema já havia sido levantado pelo relator da CPMI, o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL).
O valor, segundo Gaspar, saltou de R$ 400 mil em 2019 para R$ 300 milhões em 2024.
“O senhor está tentando proteger o governo Lula?”, indagou Moro.
Lopes afirmou que a Conafer “cresce desde sua criação” e negou que esteja protegendo o governo Lula.
Leia mais: “Se isso não é lavagem de dinheiro, melhor fechar CPMI”, diz relator sobre Conafer
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Comentários (1)
Ernesto Herbert Levy
30.09.2025 08:32Onde está a imprensa tradicional?