“O país ainda tem muitos núcleos raivosos”, diz Barroso
Ministro revelou que sua "única frustração" como presidente do STF "foi não ter conseguido fazer a pacificação"
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso (foto), afirmou nesta sexta-feira, 26, em conversas com jornalistas, que o país “ainda tem muitos núcleos raivosos”.
A declaração foi feita um dia após sua última sessão como presidente do Supremo. Ele será sucedido pelo ministro Edson Fachin.
“Eu queria ter um país mais pacificado. O país ainda tem muitos núcleos raivosos. A raiva, o ódio. Eu gostaria de ter sido a pessoa que pudesse ter feito um resgate maior da civilidade no país”, disse.
Barroso disse que sua única frustração à frente do Supremo foi não ter conseguido promover uma maior pacificação institucional e social:
“Os julgamentos do 8 de Janeiro, o volume que foi, que demorou, e o julgamento do golpe, dificultaram muito criar esse ambiente de total pacificação, porque quem teme ser preso está querendo briga, e não pacificação. Eu diria que a minha única frustração foi não ter conseguido fazer a pacificação”, afirmou, completando sobre o julgamento dos núcleos da trama golpista:
“Eu acho que o país vai se pacificar progressivamente depois que acabarem os julgamentos de todos os grupos. E aí as feridas vão começar a cicatrizar. Mas eu acho que, do ponto de vista político, o núcleo crucial era o mais emblemático. Acho que agora é um pouco um desdobramento.”
O ‘equilibrista’ Barroso
Em sua última sessão como presidente do STF, Barroso valorizou o papel da Corte na defesa da Constituição Federal e da “democracia“.
“Tenho muito orgulho de ter divido com todos a aventura de defender a Constituição Federal, a democracia e a justiça nesse país complexo”, afirmou na quinta, 25.
“Há complexidades e problemas nesse modelo que reserva para o Supremo Tribunal Federal esse papel. Porém, cabe enfatizar, com todas essas circunstâncias, esse é o arranjo institucional que nos proporcionou 37 anos de democracia e estabilidade institucional sob a Constituição de 1988”, continuou o presidente do STF.
Barroso exaltou a importância da “pacificação” do país, mas ressaltou que isso não significa renunciar às próprias “convicções”.
“Nós estamos precisando viver um novo tempo de recomeço. Um tempo de esperanças no Brasil e conseguimos finalmente essa pacificação que todo mundo deseja. Pacificação não significa as pessoas abrirem mão de suas convicções, de seus pontos de vista, de sua ideologia. Pacificação tem a ver só com civilidade. Tem a ver com a capacidade de respeitar o outro na sua diferença .”
Fachin e Moraes
Fachin foi eleito o novo presidente do STF.
Ele é o atual vice-presidente da Corte e, por critério de antiguidade, o ministro mais antigo que não presidiu o Supremo assume o cargo.
Fachin sucederá o ministro Luís Roberto Barroso na presidência do Supremo, que encerrará o mandato de dois anos.
“Quero expressar a confiança que é depositada em mim e no ministro Alexandre, a honra de integrar essa corte e a eleição como sabemos aqui tem um efeito simbólico, e é como uma corrida de revezamento. O bastão agora chegou aqui e o recebo com um sentido de missão e a consciência de que tenho um dever a cumprir”, disse o novo presidente da Corte.
O vice-presidente será o ministro Alexandre de Moraes.
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Comentários (5)
Fabio B
27.09.2025 03:22Que o ódio a esses ratos, essa casta que se julga superior permaneça e se revolte cada vez aumente mais.
CESAR AUGUSTO DIAS MARANHAO
26.09.2025 20:05Realmente existem núcleos raivosos, inclusive no STF.
Annie
26.09.2025 18:23Difícil eliminar a raiva de quem vê o supremo tomando para si julgamentos de pessoas sem foro naquela instância, anulando todas as condenações da Lava Jato, mantendo inquéritos intermináveis. Não queremos esse ativismo repugnante com ministros tomando partido , influenciando o legislativo e defendendo um único espectro político.
Marian
26.09.2025 18:02Como assim ainda tem? Estão sendo extintos? rs toda sociedade é ou deveria ter pensamentos ecléticos rs essa é boa.
Liana
26.09.2025 17:18Só irá pacificar qdo os the supremes, falarem SÓ nos autos do processo.