China investiga México, mas mira EUA
No centro da disputa comercial, a noz-pecã se torna peça menor na disputa diplomática entre China, México e Estados Unidos
A China abriu uma investigação antidumping nesta quinta-feira sobre importações de noz-pecã vindas dos Estados Unidos e do México, acusando esses países de vender o produto a preços inferiores ao valor normal e provocar prejuízo à sua indústria doméstica.
Mais importante do que isso, foi o início de uma apuração independente, também da China, sobre as tarifas de 50% que o México planeja impor a cerca de 1.400 produtos chineses, como carros, aço e têxteis.
Para Pequim, essas tarifas representam barreiras comerciais e afronta ao sistema de trocas globais.
O movimento chinês marca uma escalada visível na disputa comercial envolvendo os dois países e, indiretamente, os Estados Unidos, que têm pressionado muito o México a frear a penetração chinesa em sua economia.
Não é de hoje que os EUA acusam a China de exportar muitos de seus produtos para o México, montá-los por lá, e então exportá-los aos EUA com o carimbo de “made in Mexico”, se aproveitando dos acordos tarifários mais vantajosos do país latino para burlar as barreiras americanas.
Ao incluir o México no mesmo processo que mira os EUA, a China pode estar buscando forçar concessões diplomáticas ou comerciais, explorando a dependência mexicana em relação ao mercado chinês e a uma retaliação potencial.
Para o México, defender suas tarifas como instrumento de proteção às indústrias nacionais e assumir uma postura de confronto com a China, pode gerar perdas de mercado e ampliar tensões econômicas num momento em que o país já navega sob forte pressão dos EUA.
Já a China tem uma margem comercial limitada com o México, para quem vendem muito mais do que compram, mas dispõe de mecanismos indiretos de pressão, como ações sobre produtos agrícolas sensíveis ou regulações setoriais, como as tais nozes.
O que parece claro é que a China não quer facilitar o início de um movimento de países endurecendo as transações comerciais por ceder à pressão americana.
A investigação antidumping que mira as nozes-pecã deverá ser concluída em até um ano, com possibilidade de estender por mais seis meses, segundo o Ministério do Comércio chinês.
Se confirmadas distorções de preço e dano material à indústria local, é provável que a China imponha tarifas específicas ou outras sanções ao produto importado.
Essa investigação é mais uma amostra de quão complexo o quadro geoeconômico se tornou após as tarifas de Trump, com todas as ações gerando cada vez mais reações das partes envolvidas do que se antecipava, deixando todos atentos sobre os riscos de se criar precedentes perigosos ou mostrar fraqueza.
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