Flotilha rejeita entregar ajuda a Gaza via Chipre e insiste em romper bloqueio naval israelense
O governo italiano fez todo o possível, mas — como explicaram a primeira ministra Giorgia Meloni e o ministro da Defesa, Guido Crosetto — certamente não pode intervir com suas fragatas se os navios da Flotilha entrarem em águas israelenses
A Flotilha Global Sumud rejeitou, na quarta-feira, 24 de fevereiro, a oferta do governo israelense, mediada pelo governo italiano, de desembarcar em Ahskelon para entregar ajuda humanitária em segurança a Gaza.
Na quinta, 25, também rejeitou a oferta de Giorgia Meloni, Tel Aviv e do Patriarcado Latino de Jerusalém para entregar 23 gramas de alimentos a Gaza por rotas especiais, que os iates da resistência estão transportando inutilmente para a Faixa de Gaza.
A decisão levanta questionamentos acerca do verdadeiro objetivo da missão: ajudar as crianças palestinas, como alegam, ou provocar um incidente internacional para romper o bloqueio naval?
Ajuda a Gaza via Chipre
O plano, elaborado pelo vice-primeiro-ministro da Itália e Ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, era o seguinte: a ajuda transportada pela Flotilha seria entregue às paróquias do Patriarcado Latino em Chipre, de lá transferida para o porto de Ashdod, em Israel, e então, através de um corredor aberto pela Misericórdia, entregue a Gaza.
Os ativistas, porém, não aceitaram a proposta e anunciaram a notícia em um comunicado, afirmando que “a missão permanece fiel ao seu objetivo original de levantar o cerco ilegal e entregar ajuda humanitária à população sitiada de Gaza, vítimas de genocídio e limpeza étnica”.
“Levantar o cerco a Gaza”
Segundo os ativistas, “qualquer ataque ou obstrução à missão constituiria uma grave violação do direito internacional e um ato de desafio à ordem provisória do Tribunal Internacional de Justiça que exige que Israel facilite a ajuda humanitária a Gaza”.
O risco de um incidente internacional é alto. O governo italiano fez todo o possível, mas — como explicaram a primeira ministra Giorgia Meloni e o ministro da Defesa, Guido Crosetto — certamente não pode intervir com suas fragatas se os navios da Flotilha entrarem em águas israelenses ou tentarem romper o bloqueio naval.
Os quatro parlamentares a bordo da Flotilha compartilham essa opinião. disseram os membros do Partido Democrata Arturo Scotto, Annalisa Corrado e Paolo Romano ao jornal Corriere della Sera:
“Nosso objetivo é levantar o cerco a Gaza e reabrir todos os corredores humanitários, começando pelo marítimo, bloqueado desde 2007. Esta é a nossa missão humanitária e, até o momento, ainda não recebemos uma resposta do governo sobre se esse bloqueio naval é legal ou não. Porque, segundo o direito internacional, não é.”
O senador Marco Croatti, do Movimento 5 Estrelas, também não recua: “Não podemos mais fechar os olhos; o objetivo é criar um fluxo constante de ajuda humanitária que não passe por Israel.
Resposta do governo italiano
“O Ministério das Relações Exteriores, em estreita coordenação com o Ministério da Defesa, já ofereceu uma solução concreta para permitir a chegada de ajuda humanitária e garantiu a presença de um navio militar nas proximidades, pronto para prestar assistência e socorro. No entanto, continua sendo essencial que a flotilha não tente romper o bloqueio.
Expor vidas humanas a riscos em águas onde operações de resgate seriam impossíveis seria insensato e representaria riscos desnecessários” , explicou o ministro da Defesa italiano.
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Comentários (1)
Marian
25.09.2025 13:36Espero que o bloqueio continue, porque se o desejo fosse a entrega da ajuda humanitária, não importaria o trajeto. Mas daqui pouco ficará fresquinho por aquelas bandas e isso talvez incomode um pouco não é?