Macron oficializa reconhecimento do Estado da Palestina
"Estamos convencidos de que esse reconhecimento é a única solução que permitirá a Israel viver em paz", disse o presidente francês
O presidente da França, Emmanuel Macron (foto), reconheceu oficialmente o Estado da Palestina nesta terça-feira, 23, durante seu discurso na Assembleia-Geral da ONU.
Macron afirmou que o reconhecimento não retira os direitos do povo de Israel e representa a “única solução” que permitirá a Israel viver em paz.
“O tempo chegou. É por isso que, fiel ao compromisso histórico do meu país com o Oriente Médio e com a paz entre israelenses e palestinos, declaro que a França reconhece hoje o Estado da Palestina.
Esse reconhecimento é uma forma de afirmar que o povo palestino não é um povo a mais. Pelo contrário, é um povo que nunca renuncia a nada, como disse Mahmoud Darwich. Um povo com uma história forte, raízes profundas e dignidade.
O reconhecimento dos direitos legítimos do povo palestino não retira nada dos direitos do povo de Israel, que a França apoiou desde o primeiro dia e cujo respeito ela mantém com firme compromisso.
Precisamente porque estamos convencidos de que esse reconhecimento é a única solução que permitirá a Israel viver em paz.”
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Lula e o povo palestino
O presidente Lula voltou a falar em genocídio na Faixa de Gaza em seu discurso na 80ª Assembleia-Geral da ONU em Nova York nesta terça, 23.
“Nenhuma situação é mais emblemática do que o uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina. Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo. Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza“, disse o presidente.
“Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes. Ali também estão sepultados o direito internacional humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente. Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo“, afirmou.
“Em Gaza, a fome é usada como arma de guerra. E o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente. Quero expressar minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva.”
“O povo palestino corre o risco de desaparecer. Só sobreviverá como Estado independente integrado à comunidade internacional. Essa é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem aqui neste mesmo plenário, mas obstruída por um único veto.”
O presidente também criticou a decisão do governo americano de não dar o visto para o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, para viajar para Nova York.
“É lamentável que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de representar a bancada da Palestina neste momento histórico.”