Anistia “levará a novo confronto” com STF, diz Aécio
Deputado federal reconheceu que o "bolsonarismo raiz" não gostará do PL da Dosimetria, mas "vão ter que engolir"
O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta sexta, 19, que a aprovação de um projeto de lei anistia resultaria em um “novo confronto” com o Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-governador de Minas esteve presente em uma reunião na quinta, 19, com o ex-presidente Michel Temer (MDB) e relator do PL da Anistia, o deputado Paulinho da Força. O encontro teve como objetivo uma mudança completa do foco para a criação de um ‘PL da Dosimetria’, como alternativa à anistia ampla aos condenados pelo 8 de janeiro.
“O fato relevante é que não vamos mais discutir anistia. O tema divide o país e já foi declarado pelo Supremo Tribunal Federal como inconstitucional. Goste ou não, qualquer aprovação de uma matéria nessa linha vai levar a um novo confronto com o Supremo. O que estamos querendo é o contrário, é uma pacificação. Por isso os ministros foram consultados, o presidente da Câmara participou da reunião”, disse Aécio ao Globo.
“Não é algo que o bolsonarismo goste”
A nova articulação está sendo criticada entre bolsonaristas, que defendem uma anistia ampla, geral e irrestrita.
Aécio afirmou que o novo projeto “não é algo que o bolsonarismo raiz goste”, mas “vão ter que engolir”.
“Isso dá uma distensionada. Não é algo que o bolsonarismo raiz goste, mas é o que eles vão ter. Entre ter isso e nada, vão ter que engolir. Eu acho que é o que vai ser possível. Estou ajudando, a pedido do Paulinho e do próprio Hugo Motta, na construção disso.”
Reunião com Temer
A mudança de estratégia em torno do projeto foi definida após reunião na casa do ex-presidente Michel Temer. O deputado federal Aécio Neves (PSDB) também participou.
Durante a conversa, foram ouvidos também pelo menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Segundo Paulinho, até mesmo o Poder Executivo teria dado um aval para o texto.
“É um tema delicado, que divide governo e oposição, e a ideia é termos ampla maioria para um texto”, disse Paulinho da Força.
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