RJ: Milicianos invadem hospital para matar paciente baleado
Ação às 2h30 em Santa Cruz; SMS aponta 516 suspensões por risco em 2025 e PM prevê transferir o alvo
Oito homens armados e encapuzados invadiram, na madrugada de quinta, 18, o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, para procurar um paciente atingido por nove tiros, na tentativa de matar o alvo.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o grupo rendeu seguranças na entrada da garagem por volta de 2h30 e seguiu em direção ao centro cirúrgico. A Polícia Militar informou que reforçou o policiamento no prédio e no entorno.
A secretaria relatou que ao menos um invasor vestia uniforme da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). De acordo com a Polícia Militar, os criminosos foram identificados como milicianos.
Ainda segundo a secretaria, o paciente não estava no centro cirúrgico e segue internado em outro setor da unidade.
A Polícia Militar disse que ele está sob custódia e deverá ser transferido por razões de segurança. A gestão municipal comunicou que o atendimento foi mantido e que o controle de acesso foi reforçado após a ocorrência.
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou que a violência tem afetado a rotina da rede hospitalar.
Segundo ele, em 2025 a Prefeitura precisou suspender o funcionamento de unidades 516 vezes por motivos de segurança, como invasões ou risco no entorno. Soranz disse que as ocorrências se tornaram mais frequentes e que isso tem impacto direto nas operações e nas equipes.
A Zona Oeste registra aumento de letalidade e ataques. Dados do Instituto Fogo Cruzado indicam que os casos de homicídio e tentativa de homicídio em Santa Cruz, Campo Grande e Paciência passaram de cinco em 2021 para 21 em 2024.
O monitoramento da organização também registra nove atentados contra civis entre o fim de 2024 e março de 2025, todos em Santa Cruz.
Casos de violência em hospitais do Rio já foram registrados em anos anteriores.
Em 2016, mais de 20 homens armados invadiram o Hospital Municipal Souza Aguiar para resgatar um preso, episódio que resultou em uma morte e dois feridos, segundo a então Secretaria de Segurança do estado. A pasta foi informada previamente sobre o plano de resgate à época.
A atuação de milícias também já alcançou serviços ligados à saúde. A Polícia Civil, por meio da Draco, realizou em 2021 operação contra grupo que cobrava taxas na área da colônia do Hospital Curupaiti, na Zona Oeste. Segundo a corporação, a cobrança atingia profissionais e pacientes e fazia parte da exploração criminosa de espaços públicos.
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que mantém interlocução com as forças de segurança para prevenir novas ações nas unidades sob sua gestão. Até o fim da manhã desta quinta, não havia registro oficial de prisões relacionadas à invasão ao Hospital Pedro II. A Polícia Militar informou que seguirá com patrulhamento reforçado em Santa Cruz para identificar e deter os envolvidos.
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Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
18.09.2025 08:44O Rio de Janeiro continua lindo... Tenho medo de visitar.