‘Careca do INSS’ lavava dinheiro com carros de luxo, diz PF
Depoimento de ex-funcionário citado pela PF aponta que lobista também levava dinheiro em espécie a Brasíla de carro
A Polícia Federal (PF), como noticiamos, prendeu nesta sexta-feira, 12, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e seu sócio, Maurício Camisotti. Eles são suspeitos de fraudes milionárias contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Um ex-funcionário, que prestou depoimento sob proteção por temer represálias, afirmou que Antunes vinha dilapidando seu patrimônio para levantar dinheiro e planejava fugir para os Estados Unidos. A testemunha disse que “Antônio Camilo, logo após a Operação da Polícia Federal, começou a dilapidar seu patrimônio para se capitalizar, e que ele falou que precisava ‘levantar dinheiro, fechar as torneiras, dispensar os empregados e que iria para os Estados Unidos’”. O depoimento foi citado pela PF no pedido de prisão.
Segundo a PF, Antunes movimentou mais de R$ 12 milhões em 129 dias. A operação também cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Carros de luxo e suspeita de lavagem
Ainda de acordo com o depoente, o lobista “lavava dinheiro com carros de luxo e que estaria se desfazendo de tais veículos por preços abaixo do mercado”. O ex-funcionário também disse considerar suspeitas as viagens frequentes de Antunes “todas às sextas-feiras de carro para Brasília com dinheiro em espécie”.
A PF já havia apreendido, em maio, uma frota de veículos avaliada em R$ 3,8 milhões.
Entre os modelos estavam um Porsche 911, um Porsche Panamera, uma BMW Competition, uma BMW M135 e um Range Rover. Os investigadores também identificaram imóveis de alto padrão, incluindo uma casa no Lago Sul, em Brasília, comprada à vista por R$ 3,3 milhões, valor considerado incompatível com a renda declarada.
No depoimento, o ex-funcionário afirmou ainda que Antunes teria dito que deixaria o filho Romeu encarregado de administrar um call center voltado a consignados, localizado em um prédio de cinco andares de sua propriedade, em prejuízo de segurados do INSS.
De acordo com a PF, Antunes atuava como facilitador do esquema. Ele pagava propina a servidores do INSS para acessar dados de aposentados e pensionistas, que eram usados por associações para realizar cadastros sem autorização e efetuar descontos ilegais.
CPMI e o “Careca do INSS”
A prisão do “Careca do INSS” ocorre um dia após a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovar o requerimento de quebra e transferência do sigilo de dados bancários e fiscais do lobista.
No caso dos dados bancários, os parlamentares querem acesso, especificamente, às informações de movimentação financeira, entre janeiro de 2022 e julho de 2025, de todas as contas de depósitos, de poupança, de investimento e de outros bens, direitos e valores, inclusive mobiliários, assim como das operações com cartão de crédito.
Já no caso dos dados fiscais, querem as declarações de Imposto de Renda, entre janeiro de 2022 e julho de 2025, acompanhadas de dossiê integrado com amparo, no que couber, em diferentes bases de dados que o senador indica.
Foram aprovados pedidos também para envio de relatórios por parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à comissão. Um deles é para que a comissão envie o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) referente ao Careca do INSS, entre janeiro de 2022 e julho de 2025.
Leia em Crusoé: Caça aos culpados
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Comentários (1)
Claudemir Silvestre
13.09.2025 10:14Alguém duvida da participação dos “ companheiros “ de LULA neste esquema sujo de corrupção !!??