Pena de morte por assistir filme estrangeiro: relatório expõe repressão na Coreia do Norte
O avanço tecnológico tem sido utilizado para reforçar o controle do governo sobre todos os aspectos da vida dos coreanos
Um novo relatório divulgado pelas Nações Unidas nesta sexta-feira, 12 de setembro, expõe o agravamento das violações de direitos humanos na Coreia do Norte, onde a pena capital é aplicada de maneira sistemática, até mesmo para indivíduos que assistem a filmes ou séries estrangeiras.
Segundo o documento elaborado pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU, o regime de Pyongyang intensificou de tal modo sua repressão sobre a população civil que “nenhuma outra população enfrenta tamanhas restrições no mundo contemporâneo”.
O avanço tecnológico tem sido utilizado para reforçar o controle do governo sobre todos os aspectos da vida dos coreanos.
A pesquisa, fundamentada em mais de 300 entrevistas com norte-coreanos que conseguiram fugir do regime totalitário de Kim Jong-un nos últimos dez anos, revela um aumento alarmante da violência estatal e uma ampliação do uso de trabalhos forçados, além da implementação recorrente da pena de morte.
Desde 2015, ao menos seis novas legislações foram promulgadas, permitindo que pessoas consideradas criminosas pelo governo sejam sentenciadas à morte por atos como assistir ou compartilhar conteúdos oriundos do exterior. Essa medida visa restringir o acesso à informação entre os cidadãos norte-coreanos.
Os relatos dos fugitivos indicam que as execuções por esses crimes são realizadas publicamente e envolvem pelotões de fuzilamento, numa estratégia para incutir medo na população e desestimular qualquer transgressão legal.
Em uma entrevista à BBC, Kang Gyuri, uma norte-coreana que escapou em 2023, descreveu a condenação de um amigo que foi executado por ter em sua posse conteúdo sul-coreano. “Ele foi julgado junto a traficantes. Hoje em dia, esses crimes são tratados com a mesma severidade”, afirmou Kang.
Kang também compartilhou sua experiência ao consumir conteúdos da Coreia do Sul, que lhe proporcionaram uma nova perspectiva sobre a repressão vivida em seu país.
“Eu acreditava que era normal que o Estado controlasse nossas vidas dessa forma. Pensava que outros países enfrentavam a mesma realidade. Mas percebi que isso era exclusivo da Coreia do Norte”, declarou.
As Nações Unidas também relataram um aumento no número de cidadãos norte-coreanos obrigados a trabalhar em projetos de construção ou mineração, além da existência de pelo menos quatro campos de prisioneiros políticos onde abusos e torturas são comuns.
O órgão internacional apela para que essa grave situação seja levada ao Tribunal Penal Internacional (TPI), embora tal ação enfrente dificuldades significativas devido à necessidade de aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU, onde China e Rússia frequentemente bloqueiam iniciativas para impor sanções à Coreia do Norte.
Coreia do Norte
A história da Coreia do Norte como um regime comunista sob o domínio da família Kim começou em 1948.
Desde então, o país tem se mantido praticamente isolado do resto do mundo. A ascensão de Kim Jong-un ao poder em 2011 trouxe promessas de mudanças, mas as expectativas não foram cumpridas e as condições de vida só se deterioraram.
Leia também: “China apoia Rússia e Coréia do Norte sem medo de desafiar o Ocidente”, diz jornalista ucraniano
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Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
12.09.2025 11:19Manda a Fernanda Torres e o Salles para lá, lançar seu filme “Ainda estou aqui“