Lupi: “Não podemos ter o preceito de que todo mundo é culpado”
Ex-ministro da Previdência foi questionado sobre relação com o "Careca do INSS" durante CPMI
Em depoimento nesta segunda, 8, à Comissão Parlamentar Mista e Inquérito (CPMI) do INSS, o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi defendeu a “presunção de inocência”, ao ser questionado sobre sua a relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS“.
“Nobre relator, eu sigo um preceito constitucional. Todo mundo é inocente até prove o contrário. Eu falei isso no dia em que começou essa operação e paguei um preço caro para afirmar um preceito constitucional. Não podemos ter o preceito de que todo mundo é culpado. Isso é uma sociedade maniqueísta. Isso é uma sociedade que quer voltar ao tribunal de inquisição. A minha presunção sempre é da inocência e da boa-fé. E não me arrependo disso“, disse Lupi.
O depoimento do “Careca do INSS” à CPMI deve ocorrer em 15 de setembro.
Lobista
Na última quinta, 1ª, o advogado Eli Cohen disse em depoimento à CPMI do INSS que o “Careca do INSS” fornecia dados ilegais de aposentados e pensionistas à Ambec, Cebap e Unsbras, para que elas fizessem descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Cohen foi responsável pelas investigações particulares iniciais que culminaram na deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Ele falou à comissão na condição de testemunha.
Ambec, Cebap e Unsbras são apenas três das entidades que teriam realizados descontos associativos não autorizados no país nos últimos anos. Segundo Cohen, por trás das três está o empresário Maurício Camisotti, que controla as empresas do Total Health Group (THG).
“O Careca funcionava como alimentador de dados e de lobby dentro do INSS para todas as associações, inclusive a Ambec. Ganhava 27,5% para fazer isso“, declarou.
Os descontos irregulares ocorriam por meio de adesões com assinaturas falsas, ligações montadas e outros métodos.
“Esse crime não poderia ter sido realizado se você não tivesse o presidente do INSS no seu bolso, todo o departamento de benefícios do INSS e, na minha opinião, que eu tenho certeza que os senhores vão chegar lá, o ministro da Previdência”, disse Cohen.
Conforme o advogado, o Careca tinha o controle do departamento de benefícios. Ele ressaltou ainda que Camisotti é o “capo” da Ambec, Cebap e Unsbras, mas não de toda a fraude. “Precisamos achar os outros Maurício e os outros Carecas“.
Segundo Cohen, o modelo de fraude, explicado por ele, envolvendo essas três entidades é o mesmo utilizado por todas as demais associações que fizeram descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
“Só mudam os personagens. O que não muda é a vítima, o aposentado, sempre é o mesmo, esse não muda, desde 2005”.
Em determinado momento do depoimento, ele chegou a acusar o Banco Master, BMG e PicPay de fazerem fraudes em débitos consignados também.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)