Prejuízo dos Correios quase quintuplica no 2º trimestre
No acumulado do semestre, o rombo chegou a R$ 4,37 bilhões
Os Correios fecharam o segundo trimestre de 2025 com prejuízo de R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado, de R$ 553,2 milhões. No acumulado do semestre, o rombo chegou a R$ 4,37 bilhões, ante R$ 1,35 bilhão em igual período de 2024, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira, 5.
A estatal enfrenta queda nas receitas e forte aumento de despesas, especialmente com o pagamento de precatórios, que somaram R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre — alta de 812% em relação ao mesmo período de 2024. O gasto com pessoal também subiu e alcançou R$ 2,8 bilhões, impulsionado por reajustes salariais e gratificações previstas em acordo coletivo.
Do lado da receita, a queda foi de 11,2% em relação a 2024, totalizando R$ 4,4 bilhões no trimestre. O maior impacto veio dos serviços de postagem internacional, que despencaram 63,6% após a implementação do programa Remessa Conforme, da Receita Federal, que deslocou parte das encomendas para empresas privadas de comércio eletrônico.
A grave situação financeira levou o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, a apresentar carta de renúncia em julho, mas a saída ainda não foi formalizada.
A explicação de Haddad
No último domingo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atribuiu a crise dos Correios à quebra do monopólio.
“Houve a quebra do monopólio e hoje os Correios estão com um passivo de ter que entregar cartas para quem usa ainda os Correios nas regiões mais remotas do país”, afirmou o ministro em entrevista ao programa Canal Livre, da Band.
“Imagina, não tem como você pagar com selo a mandar (sic) uma carta física para o interior de uma região longínqua do país”, acrescentou.
“Então os Correios têm um problema estrutural que é o enorme subsídio daquilo que ficou para ele, porque quem concorre com os Correios não tem nenhuma obrigação de entregar carta. Ele só faz pelo preço que compensa. Então, olha a situação paradoxal que nós criamos. Quebrou-se o monopólio, o Correio ficou com uma obrigação (sic) e ele não tem funding para custear o subsídio”, acrescentou.
Crise
Em 2024, a estatal registrou um prejuízo líquido de 2,6 bilhões de reais. O valor é quatro vezes maior ao déficit de 597 milhões de reais registrado em 2023.
Entre as ações propostas estão a ampliação do plano de demissão voluntária (PDV), a redução da jornada de trabalho e uma reestruturação administrativa abrangente.
O rombo financeiro é amplamente atribuído à diminuição nas receitas provenientes de encomendas internacionais, um setor que sofreu consideravelmente devido à nova taxação sobre produtos importados e à crescente concorrência de empresas privadas, especialmente no que tange às mercadorias oriundas da China.
Leia mais: Situação financeira dos Correios é insustentável a longo prazo, aponta auditoria
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Comentários (5)
Marian
06.09.2025 11:40Favas cantadas.
Annie
06.09.2025 10:56Já sabíamos que isso ia acontecer PT nas parada.
Ita
06.09.2025 10:17Se tivesse sido privatizado o rombo, hoje, se existisse não seria pago com dinheiro público. Serviços prestados pelos correios? logo outras empresas encampariam então, pode fechar.
Sonia
06.09.2025 09:58Das três ultimas remessas ( sedex)que fiz para a Alemanha duas voltaram e uma extraviou. Me perguntem se ainda usarei os correios para essa finalidade.
Fabio B
06.09.2025 09:52Até quando esse ralo de dinheiro publico vai continuar? E o discurso propagandeado também de que "no governo Bolsonaro não houve prejuízo" como alguns patetas repetem é bem atabalhoado e ingênuo. O governo anterior criminosamente mascarava o rombo com injeção de recursos, postergando assim o reconhecimento dos passivos. Tipo, jogou o prejuízo pro exercício posterior, no caso, para o governo atual.