Agro francês pressiona por veto à acordo com Mercosul
Produtores rurais da França pressionam Bruxelas para impedir acordo UE–Mercosul, alegando riscos à competitividade agrícola
Representantes do setor Agro francês intensificam a pressão para impedir a formalização do acordo entre União Europeia e Mercosul.
O pacto, negociado há mais de duas décadas e finalizado recentemente pela Comissão Europeia, ainda precisa da ratificação dos 27 Estados-membros e do Parlamento Europeu, em um cenário no qual Paris lidera as resistências.
No centro da disputa, informa a Bloomberg está o temor de que a entrada de produtos agrícolas sul-americanos, como carne bovina, açúcar, arroz e soja, pressione os preços internos e fragilize a competitividade dos produtores europeus.
Sindicatos do agro francês, como a FNSEA argumentam que países do Mercosul operam com padrões ambientais e sanitários menos rigorosos, criando uma concorrência considerada desleal.
A estratégia francesa é formar uma minoria de bloqueio dentro da UE para inviabilizar a aprovação do tratado ainda em 2025.
A Comissão Europeia, ciente da oposição, apresentou um pacote de garantias jurídicas.
Entre elas há mecanismos automáticos para investigar aumentos súbitos no volume de importações ou quedas de preços, um fundo emergencial ampliado de cerca de 6,3 bilhões de euros e a possibilidade de suspender tarifas caso haja comprovação de prejuízo ao setor agro.
A intenção é oferecer segurança política e econômica para que países reticentes revisem suas posições.
Mesmo assim, os membros do governo francês afirmam que, embora as cláusulas de salvaguarda representem um avanço, é necessário avaliar detalhadamente sua eficácia.
Outros países, como a Itália, também adotam postura cautelosa, reforçando que o impacto real dessas medidas precisa ser testado.
Para a União Europeia, o acordo é parte de uma estratégia maior de diversificação de parceiros comerciais, reduzindo dependência de mercados hoje expostos a tensões geopolíticas e barreiras tarifárias, como os Estados Unidos.
Indústrias europeias, especialmente de automóveis e maquinário, projetam ganhos relevantes com a redução de tarifas e a ampliação do acesso a mercados do Mercosul.
Estimativas indicam um potencial de 49 bilhões de euros adicionais em exportações e geração de milhares de empregos.
O embate expõe a complexidade de equilibrar interesses industriais e agrícolas dentro do bloco.
Na visão dos agricultores franceses, o risco à soberania alimentar e à sobrevivência de pequenas propriedades se sobrepõe aos benefícios comerciais.
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Comentários (1)
Angelo Sanchez
11.09.2025 13:53Este acordo do Mercusul com a União Europeia, nunca vai sair do papel, já faz 20 anos e os próximos 20 anos não vai ser diferente. Não adianta o governo brasileiro do "descondenado", ficar lambendo as botas do governo francês e nem de outros da Europa. Melhor seria desistir e parar de gastar o nosso dinheiro com viagens à Europa, levando inúmeros "turistas" travestidos de negociadores.