Primeiro hospital público “inteligente” do país terá 800 leitos
Unidade no Hospital das Clínicas da USP deve abrir no fim de 2027
O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta, 4, a criação do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.
Segundo a pasta, a nova unidade terá 800 leitos dedicados à emergência de adultos e crianças e começará a operar no fim de 2027.
De acordo com o Ministério da Saúde, publicado às 14h21 (Brasília), o objetivo é encurtar drasticamente o tempo de atendimento em casos graves, de até 17 horas para 2 horas, com integração de inteligência artificial, ambulâncias conectadas em 5G e telessaúde.
A Secretaria de Comunicação Social do governo federal reforçou que o projeto integra a rede de atenção do SUS e mira eficiência operacional, regulação inteligente de leitos e permanência reduzida, com foco em segurança do paciente.
O projeto arquitetônico prevê um edifício de 150 mil metros quadrados, com padrões internacionais de sustentabilidade e segurança, além de soluções de logística e ambientes humanizados, informou o Ministério da Saúde.
A unidade também funcionará como centro de pesquisa e formação em áreas como saúde digital, telessaúde, inteligência artificial, engenharia clínica e segurança cibernética. A pasta afirma ter instituído um grupo de trabalho para conduzir a implantação em articulação com outros órgãos e parceiros.
O anúncio inclui a montagem de uma rede nacional de UTIs inteligentes em dez capitais: Belém, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife, São Paulo, Salvador e Teresina.
Segundo o governo, essas UTIs ficarão conectadas às do Hospital das Clínicas da USP e terão monitoramento em tempo real com uso de algoritmos para apoiar a regulação de leitos e decisões clínicas. A expansão dessa rede está prevista de forma gradual.
O financiamento internacional previsto é de US$ 320 milhões do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB-Brics).
O protocolo desse valor foi aprovado pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) e entregue pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, à presidência do banco; o projeto segue em análise pela instituição.
O Ministério da Saúde destaca que a iniciativa resulta de parceria com a Universidade de São Paulo e o governo paulista e se inspira em experiências internacionais visitadas por equipes da pasta e da USP na China.
O governo federal afirma que o ITMI-Brasil se insere na estratégia da Nova Indústria Brasil (NIB) para o Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Segundo o Ministério da Saúde e a Secom, os investimentos em inovação, pesquisa e autonomia produtiva nessa agenda somam mais de R$ 4,4 bilhões desde 2023.
A pasta diz que a nova unidade pretende acelerar diagnóstico e tratamento de AVC, traumas, infartos e choques, ao combinar alta tecnologia com protocolos assistenciais do SUS.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, a integração do ITMI-Brasil à rede pública permitirá que a regulação de pacientes aconteça desde a atenção primária até a urgência e a terapia intensiva.
O governo sustenta que o modelo adotado busca ganho de velocidade e resolutividade sem restringir o acesso, com atendimento 100% SUS.
A implantação, afirma a pasta, marca o início de um “hospital público inteligente” com foco em assistência, ciência e formação profissional.
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