Essa é a origem da primeira pandemia da história da humanidade
Evento devastador atingiu vastas áreas da Eurásia, desde a agitada capital bizantina de Constantinopla até aldeias rurais na Inglaterra.
A peste de Justiniano, ocorrida entre 541 e 750 d.C., marcou o início da primeira pandemia de peste registrada na história. Este evento devastador atingiu vastas áreas da Eurásia, desde a agitada capital bizantina de Constantinopla até aldeias rurais na Inglaterra.
Recentemente, pesquisadores identificaram evidências genéticas do bactéria Yersinia pestis, o agente causador da peste, em um sítio arqueológico em Jerash, na Jordânia.
As amostras de DNA recuperadas dos dentes de cinco indivíduos enterrados ali são vitais para entender como a peste assolou o Império Bizantino e inaugurou um dos episódios mais marcantes da história antiga.
Nomeada em homenagem ao imperador Justiniano I, que governava durante o surto inicial por volta de 541 d.C., essa pandemia de peste é creditada como responsável pela morte de aproximadamente 25 a 50 milhões de pessoas.
Histórias em registros antigos afirmam que o próprio Justiniano teria contraído e se recuperado da doença. Primeiramente, o surto surgiu na cidade de Pelúsio, no Egito, antes de se alastrar por toda a região do Mediterrâneo.
Como a peste de Justiniano se espalhou pelo Império Bizantino?
A expansão do Yersinia pestis não foi restrita a uma única área; sobre os dois séculos seguintes, a peste ressurgiu em diferentes regiões de Europa, Norte da África e Oriente Médio. O local predominante de habitação do Y. pestis eram pequenos mamíferos, como roedores e suas pulgas.
Evidências genéticas dessa bactéria já foram previamente encontradas em vilarejos ocidentais da Europa, mas, até recentemente, faltavam provas de sua presença mais ao leste, dentro das antigas fronteiras do Império Bizantino.
Embora a peste medieval tenha sido igualmente devastadora, pesquisas modernas revelam que pandemias posteriores surgiram em iterações múltiplas a partir de reservatórios animais existentes, em vez de se originarem de uma única cepa ancestral.
Essa conclusão destaca que, ao longo do tempo, a bactéria Y. pestis estabeleceu novos focos epidêmicos a partir de povoados de humanos e animais selvagens.
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Por que a descoberta em Jerash é importante para a história da peste?
A descoberta dos vestígios de Y. pestis nas proximidades do hipódromo romano de Jerash preenche lacunas críticas na compreensão da dinâmica da peste no Império Bizantino.
As lentes genômicas lançadas sobre esses achados confirmam que as cepas da bactéria encontradas em Jerash eram virtualmente idênticas, sugerindo um surto rápido entre os anos 550 a 660 d.C.
Esse dado é revelador sobre o ritmo de propagação da doença e destaca a utilização de áreas públicas como sepulturas em massa devido à alta mortalidade causada.
O paralelo moderno mais próximo da peste de Justiniano é a pandemia de COVID-19, embora com diferenças marcantes em seus modos de início e de propagação.
Enquanto o COVID-19 surgiu de um único evento de transbordamento zoonótico, espalhando-se entre humanos, a peste medieval evidenciou múltiplas incursões de Y. pestis a partir de reservatórios animais.
Ambas as crises assinalam a vulnerabilidade contínua da humanidade a patógenos pandêmicos.
O que a compreensão da peste medieval pode nos ensinar sobre pandemias?
Estudos recentes sobre a peste de Justiniano oferecem uma perspectiva única sobre pandemias históricas e a interação entre humanos e agentes patogênicos. Eles alertam para a necessidade de vigilância contínua e preparação para futuros surtos, reconhecendo padrões naturais de doenças e adaptando respostas eficazes.
À medida que a ciência avança, a compreensão desses eventos históricos não apenas ilumina o passado, mas molda o caminho para responder a desafios epidemiológicos contemporâneos.
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