EUA barram Abbas de participar da Assembleia da ONU
Segundo governo Trump, decisão responde ao “incumprimento de compromissos e à promoção de atos terroristas” pela Autoridade Palestina
O Departamento de Estado dos EUA anunciou que irá recusar e revogar vistos de membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e da Autoridade Palestiniana (AP) antes da próxima Assembleia Geral das Nações Unidas. A decisão afeta diretamente Mahmoud Abbas (foto), presidente da AP, e cerca de 80 outros oficiais.
Segundo o governo Donald Trump, a medida responde ao “incumprimento de compromissos e à promoção de atos terroristas” por parte da OLP e da AP.
“É de acordo com os nossos interesses nacionais responsabilizar a OLP e a AP por não respeitarem os seus compromissos e por prejudicarem as hipóteses para a paz”, afirmou o Departamento de Estado em comunicado.
Abbas planejava participar da Assembleia Geral da ONU e de uma cúpula organizada pela França e pela Arábia Saudita, na qual Reino Unido, França, Austrália e Canadá pretendem reconhecer formalmente o Estado palestino.
O gabinete de Abbas classificou a decisão como uma surpresa e violação do “acordo da sede” da ONU, estabelecido em 1947, que prevê acesso de diplomatas estrangeiros à sede da organização em Nova York.
Washington afirmou que pode negar vistos por motivos de segurança, extremismo ou política externa. A proibição, segundo o Departamento de Estado, não se aplica à missão permanente da Palestina na ONU, composta por funcionários já estabelecidos em Nova York.
A delegação palestina criticou a decisão e afirmou que a medida contraria obrigações legais internacionais.
“Apelamos à Administração dos EUA para que reverta esta decisão que contraria o direito internacional, especificamente o Headquarters Agreement entre a ONU e os Estados Unidos”, afirmou Nabil Abu Rudeineh, porta-voz de Abbas.
O anúncio provocou reações na comunidade internacional.
Vários países europeus, incluindo França, Irlanda e Espanha, condenaram a medida e pediram que Washington reveja a decisão. Afirmaram ainda que a Assembleia Geral da ONU “não pode ficar sujeita a quaisquer restrições de acesso”.
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As duas caras de Abbas
Como mostrou Crusoé, Mahmoud Abbas tem duas caras.
Uma delas é usada para falar com o Ocidente e dar entrevistas para jornalistas de grandes veículos. Para essa plateia, Abbas diz frases sensatas, como a de que o grupo terrorista Hamas não representa os palestinos e que é culpado pela continuação da guerra na Faixa de Gaza. Ao se mostrar como alguém mais moderado, Abbas consegue abrir espaço para conversar com autoridades europeias e americanas.
A outra cara é a que ele usa para falar com palestinos e outros povos árabes, sem se preocupar com possíveis represálias. Com esse segundo rosto, Abbas conclama os palestinos a praticarem a violência e festeja os seus mártires.
Um vídeo divulgado pelo canal MEMRI TV, que monitora os canais do Oriente Médio, mostra um discurso de Abbas no Parlamento da Turquia.
Na imagem, é possível ver Abbas rezando pela alma do “mártir” Ismail Haniyeh — o líder do grupo terrorista do Hamas eliminado no Irã.
O presidente da AP acusa Israel de “genocídio”, declara que “a América é uma praga” e revela que irá para a Faixa de Gaza e, de lá, para Jerusalém. “Estamos implementando a Lei da Sharia: vitória ou martírio”, disse Abbas.
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