CPMI do INSS: relator nega ter ameaçado dar voz de prisão a delegado da PF
Segundo Alfredo Gaspar, o que houve na reunião secreta de quinta-feira foram "esclarecimentos sobre o que é ou não sigiloso"
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), negou nesta sexta-feira, 29, que tenha ameaçado dar voz de prisão ao delegado da Polícia Federal (PF) Bruno Oliveira Pereira Bergamaschi durante a reunião secreta que o colegiado fez para ouvi-lo na quinta, 28.
“É importante esclarecer os fatos, já que trabalho com transparência em tudo que faço. Na CPMI do INSS, não houve ameaça de prisão direcionada ao delegado. O que houve foram esclarecimentos sobre o que é ou não sigiloso. Explico: o delegado fez um bom trabalho na Operação Sem Desconto, já devidamente publicizada na imprensa e com cópia integral do inquérito disponível na internet, pois ele mesmo havia solicitado o levantamento do sigilo”, disse Gaspar, em nota.
“Como relator, baseei minhas perguntas exclusivamente em informações não sigilosas e, mesmo assim, o delegado respondia que não podia falar. Insisti, esclarecendo que as perguntas tratavam apenas de dados já publicizados. Foi necessário que o STF se manifestasse para que o delegado mudasse de postura e esclarecesse os fatos”, acrescentou.
Ainda de acordo com o relator, o delegado explicou que havia recebido determinação superior para não se manifestar, mesmo sobre informações públicas.
“Esse foi o motivo da discórdia. Como relator, apenas reforcei que não cabe à testemunha calar a verdade, salvo nas exceções previstas em lei. O que não era o caso. Por isso, não aceitei o silêncio como resposta”.
Segundo Gaspar, posteriormente, porém, ainda ontem uma decisão do STF resolveu o impasse, esclarecendo que o delegado deveria falar, salvo em situações que envolvessem informações sigilosas.
“Ainda durante o depoimento, questionei por que a Polícia Federal não pediu a prisão do chamado ‘Careca do INSS’, já que não faltam elementos que o incriminam como um dos grandes operadores da organização criminosa investigada. O que vale para ladrão de celular tem que valer também para bandido endinheirado. Ladrão de milhares de aposentados e pensionistas tem que ser preso imediatamente”, concluiu o relator
Próximo depoimento
Na próxima segunda-feira, 1º, a CPMI deve ouvir o advogado Eli Cohen, responsável pelas investigações particulares iniciais que culminaram na deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. A operação foi deflagrada para combater o esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Cohen foi convocado para prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.
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