Bukele determina inspeção de corte de cabelo nas escolas
Cortes como moicano e o chamado Edgar, populares entre jovens, foram proibidos pelo governo de El Salvador
Diretores de escolas em El Salvador passaram nesta semana a receber os alunos nos portões para inspecionar cortes de cabelo e uniformes. A medida integra diretriz do governo do presidente Nayib Bukele para disciplinar jovens e reduzir a influência de gangues nas escolas.
A partir de agora, cortes como moicano e o chamado Edgar, populares entre jovens, foram proibidos pelo governo.
A responsável por implementar as regras é a nova ministra da Educação, Karla Trigueros, capitã do Exército e médica, que tem visitado escolas vestindo uniforme militar.
Em memorando enviado na última segunda-feira, 19, ela determinou que diretores fiscalizem diariamente estudantes, exigindo uniformes limpos e alinhados, cortes de cabelo “apropriados” e saudações formais.
O descumprimento será considerado uma “grave falta de responsabilidade administrativa”.
As normas já existiam, mas raramente eram aplicadas.
Ao compartilhar a medida no X, Bukele afirmou:
“Para construir o El Salvador com que sonhamos, é claro que precisamos transformar completamente nosso sistema educacional.”
O presidente, que no primeiro mandato se apresentava com boné e jeans, vem adotando postura mais formal em seu segundo período no cargo.
Bukele também reagiu às críticas. Em publicação no X, ironizou os que chamou de “haters” e compartilhou um vídeo em que meninas pedem autógrafo à ministra, dizendo que ela estaria reprimindo os alunos.
Concentração de poder
A Assembleia Legislativa de El Salvador aprovou recentemente uma reforma constitucional que consolida a possibilidade de Bukele seguir no poder por tempo indeterminado.
Com apoio do partido governista Nuevas Ideas, que detém maioria esmagadora no Congresso, a medida amplia o mandato presidencial de cinco para seis anos, elimina o segundo turno das eleições e revoga trechos da Constituição de 1983 que proibiam a reeleição imediata.
A mudança inclui ainda uma cláusula transitória que encurta o mandato de Bukele iniciado em 2024. Com isso, ele poderá disputar novo mandato já em 2027, ano em que as eleições presidenciais passarão a ocorrer junto às legislativas e municipais.
Bukele, que chegou ao poder em 2019 e foi reeleito em 2024 com 85% dos votos, já havia conseguido em 2021 uma decisão da Sala Constitucional que reverteu a proibição da reeleição imediata.
Com a nova reforma, sua permanência prolongada na presidência torna-se juridicamente respaldada.
Apesar das críticas e dos alertas sobre riscos à alternância de poder, Bukele segue com ampla popularidade, impulsionada por sua política de segurança pública que, desde 2022, reduziu drasticamente os índices de violência no país.
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Comentários (3)
Marian
23.08.2025 10:23Parece exagero, mas quando uma facção determina o corte de cabelo de seus membros, isso deve ser combatido sim.
Fabio B
23.08.2025 10:13Lei e Ordem é fundamental para o desenvolvimento de um cidadão, principalmente quando a criança não vêm de uma família estruturada com uma figura paterna exemplar.
Marcia Elizabeth Brunetti
23.08.2025 09:01Não deixa de lembrar o modelo norte-coreano. Espero que essas imposições não evoluam para mais um modelo ditatorial.