Orlando Tosetto Júnior na Crusoé: Que a Nasa venha nos estudar
O brasileiro na verdade é um asteróide, um cometa, um satélite natural de algum planeta
O Brasil surpreende tanto a gente! A frase até pede uma exclamação. Porque o brasileiro, se nem sempre é um forte, é quase sempre um original: o lixeiro que dá salto mortal, o cantor fanhoso, o legislador jabuticabeiro.
O brasileiro na verdade é um asteróide, um cometa, um satélite natural de algum planeta; não à toa, vivem pedindo que a Nasa o estude.
A Nasa, parece, tem mais o que fazer. Pena: ficamos sem conhecer o nome e o modo como se pega a bactéria da extravagância nacional. Ficamos restritos a observar seus sintomas e manifestações.
Esses, ora, esses não faltam. Todo dia aparece um novo por aí. Vejamos uns exemplos substanciosos que vêm de cima, das mais altas esferas políticas da nossa sociedade.
Está aí, exempli gratia, o stupor mundi, o nosso interessantíssimo Presidente, homem de pensamentos intrincados e frases incríveis, amplamente exercitados nestes tempos de tarifas aumentadas.
Ele disse, entre outras coisas, o seguinte: “Se os americanos não quiserem comprar [o que tivermos à venda e estiver sobretaxado], eu procuro outros países e vendo para eles”. E que já abriu – ele, ele abriu – tipo uns 390 novos mercados.
(Não há 390 países. Mas pode haver 200 mercados, 100 quitandas, 90 armarinhos. O importante é ir lá e abrir.)
Fiquei surpreso, no entanto, de saber que é ele quem vai vender, é ele quem vai sair por aí mascateando a nossa produção sobretaxada. Eu achava que o vexame caberia, sei lá, a algum ministro. Pois ministros os temos de sobra, não é? Para algo hão de servir.
Mas não, é com o Presidente em pessoa. Imagino a voz dele – aquela voz que faz com que certas ex-jornalistas da televisão sintam coisas – pegando…
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Comentários (1)
Marian
23.08.2025 22:25Acho que precisamos mais do FBI não?