Moraes rebate Mendonça: “Isso é coisa de ditador”
Ministro contrapõe discurso de colega sobre moderação da Corte, associando a ideia a regimes autoritários
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, criticou a defesa da autocontenção do Judiciário, associando-a a regimes autoritários, nesta sexta-feira, 22, no Fórum Empresarial Lide, Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu horas depois de seu colega de corte, André Mendonça, defender a moderação judicial no mesmo evento. Moraes argumenta que a autocontenção é um pretexto autocrático para suprimir a liberdade de setores como a imprensa e a justiça.
Autocracia x liberdade institucional
Sem mencionar diretamente Mendonça, Moraes afirmou que “somente nas autocracias o autocrata pode querer exercer sua liberdade sem limites e não ser responsabilizado”. Ele explicou que, nesses regimes, sob o pretexto de uma compreensão de certos setores, como imprensa e Judiciário, a liberdade é suprimida. O ministro reforçou sua posição: “Isso é coisa de autocrata. Isso é coisa de ditador”.
Moraes também abordou a questão do respeito institucional, diferenciando-o do medo. Ele declarou que “o respeito se dá pela independência”. Em uma aparente contraposição ao discurso prévio, o ministro descreveu um “Judiciário vassalo, covarde, que quer fazer acordo para que o país momentaneamente deixe de estar conturbado não é um Judiciário independente”.
Debate sobre o papel do Judiciário
André Mendonça havia afirmado que “Estado de Direito demanda autocontenção do Poder Judiciário”. Ele defendeu que “se algo não está dando certo, é preciso haver reflexão séria de reforma das instituições”, abrangendo Legislativo, Executivo e Judiciário. O ministro também destacou sua legitimidade para expressar tal posição por integrar a mais alta corte do país.
Moraes, por sua vez, ressaltou a estabilidade democrática do Brasil nos últimos 37 anos, apesar de um “histórico de golpismo”. Ele mencionou que o país possui “mecanismos importantes, instrumentos necessários para garantir a normalidade”. O ministro não fez menções diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou à Lei Magnitsky, da qual foi alvo.
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Comentários (1)
FRANCISCO JUNIOR
22.08.2025 19:20Presumo que hoje não teve sessão no STF então eles puderam folgar, é isso? Deveriam seguir exemplo de outras supremas cortes, com pouco ou nenhum discurso público, a não ser nos processos.