E o PL, partido de Bolsonaro, agora quer ser “isentão”
Para um bom entendedor, meia palavra basta. A turma, na ausência de Jair Bolsonaro em 2026, prega o “não voto”
Convencionou-se, entre os radicais bolsonaristas, adjetivar como “isentão” qualquer pessoa, ou eleitor, que, contrária ao lulopetismo, não tenha votado em ou adira cegamente aos ditames do clã Bolsonaro.
Aos próceres e sabujos do bolsonarismo, ou você está 150% dentro – o all in de Eduardo Bolsonaro -, ou está 200% fora. Será tratado a socos e pontapés, por ora digitais, como os bolsokids têm feito com aliados.
Jornalistas que apenas trazem informações factuais, sem fazer juízo de valor, são “comunistas”. Colunistas que opinam com isenção, sempre amparados em fatos, são “vendidos”. Eleitores “nem-nem” (nem Lula nem Bolsonaro) são “covardes”.
A culpa é de quem?
O que mais ouvi de bolsonaristas em 2022, sabedores de que eu não votaria no “mito” nem muito menos em Lula, foi: “Assim você estará elegendo o PT”. E a recíproca, com sinais trocados, claro, era mais que verdadeira.
Extremistas não conseguem compreender que o “não voto” é uma escolha. “Ah, mas alguém irá votar por você”. Uma ova! O meu voto é meu e de ninguém mais. As escolhas de terceiros são de… terceiros!
Em Minas, temos um ditado: “Antes tarde, que muito tarde”. Parece que os bolsonaristas do PL finalmente entenderam a lógica. Alguns, em efeito manada como de costume, após o toque do berrante de Dudu Bananinha, tem “defendido” voto nulo.
Diga aí, “amigão” do Trump
Eduardo Bolsonaro publicou um banner digital em que se lê, sob a imagem (gerada por IA) do pai: “Eu só voto no Bolsonaro”. No X, acima da foto, os dizeres: “Acho engraçado, a pessoa diz: ‘mas se Bolsonaro não concorrer, você vai entregar o Brasil na mão do PT’?”
E continuou: “Se realmente a intenção for salvar o Brasil do PT, por que estas mesmas pessoas nada fazem e apenas olham o cara que mais chances tem de derrotar o PT ir preso INJUSTAMENTE?”. Atenção: eu reproduzi tal qual o moçoilo escreveu, ok?
Para um bom entendedor, meia palavra basta. A turma, na ausência de Jair Bolsonaro em 2026, prega o “não voto”. Não querem, não admitem nem aceitam qualquer candidato opositor ao lulopetismo. Seriam, pois, os novos “isentões” ou, como sempre, com eles, é virtude?