Banco do Brasil tem pior rentabilidade desde 2016
O Banco do Brasil divulgou nessa quinta-feira resultados fracos para o segundo trimestre desse ano. Ação caiu 30% desde o auge em maio
O Banco do Brasil divulgou nessa quinta-feira (14) resultados fracos para o segundo trimestre de 2025, com sua rentabilidade mais baixa desde 2016.
O lucro líquido ajustado caiu 60% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 3,784 bilhões de reais, abaixo das expectativas do mercado, que projetavam cerca de 5 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu para 8,2%, uma redução de 7,5 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e 12,8 pontos ante ao mesmo período de 2024, posicionando o banco como o de menor rentabilidade entre os grandes bancos brasileiros.
Os principais fatores para o desempenho negativo foram o grande aumento nas provisões para devedores duvidosos, que subiram 13,1%, impulsionadas por um cenário de piora na qualidade dos ativos.
As despesas com crédito saltaram 104% na comparação anual e 57% trimestral, atingindo 15,9 bilhões.
A inadimplência no agronegócio, segmento onde o banco é líder, com 50% de participação no mercado, piorou de 4,1% para 5,5% no curto prazo, afetada por atrasos generalizados, renegociações e impactos da Resolução 4.966 do Banco Central, que exige maior provisionamento em caixa para operações de maior risco.
Além disso, houve elevação na inadimplência em financiamento pessoal e em micro, pequenas e médias empresas.
Em teleconferência com analistas, a presidente-executiva Tarciana Medeiros reconheceu a gravidade da situação. “A gente não está fugindo da realidade. A gente está trazendo o resultado previsto para 2025, que está aquém da nossa expectativa, está aquém da expectativa do mercado, mas é um resultado que reflete a força do Banco do Brasil”, afirmou.
Ela destacou que o momento exige “conversa franca com o mercado” e previu que o terceiro trimestre será “mais estressado” devido às operações de crédito no agronegócio, com melhora apenas no fim do ano. Medeiros também projetou que, a partir de 2026, o banco retomará o crescimento da rentabilidade para níveis anteriores.
Apesar dos problemas, a margem financeira bruta cresceu 4,9% no trimestre, e as receitas líquidas subiram 2,6%, sustentadas por spreads mais altos.
Spread é a diferença entre a taxa que uma instituição financeira cobra para emprestar dinheiro e a taxa que ela paga para captar recursos. Quanto maior essa diferença, maior seu lucro.
As despesas operacionais ficaram 1,6% abaixo do esperado. O banco planeja adotar práticas de crédito mais rigorosas, incluindo ações judiciais, sem abrir mão da liderança no agronegócio.
Teme-se que com a taxa de juros em alta e a queda de exportações para os Estados Unidos, por conta do tarifaço de Donald Trump, a inadimplência no setor agro não deve cair tão cedo.
Os resultados levaram a mais uma queda nas ações do BB, que já recuaram mais de 30% desde o auge desse ano, em meados de maio. O banco mantém foco em recuperação, mas o cenário de 2025 permanece abaixo das projeções iniciais.
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