Escritor Milton Hatoum é eleito para a ABL
Nascido em Manaus, ele agora ocupa a cadeira de número 6, tornando-se o único membro nortista em um período marcado pela renovação institucional
O escritor Milton Hatoum foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). A votação foi realizada nesta quinta-feira, 14, na sede da ABL, no Rio de Janeiro. Ele ocupará a cadeira de número 6, que estava vaga desde a morte do jornalista Cícero Sandroni. Hatoum obteve 33 dos votos válidos, superando seus concorrentes. Sua eleição marca o reconhecimento de uma carreira literária que já soma mais de meio milhão de livros vendidos no Brasil e é agraciada com importantes prêmios literários.
Produção literária fora do eixo
Aos 72 anos, Milton Hatoum é uma figura reconhecida no cenário literário brasileiro, com uma atuação diversificada como romancista, contista, ensaísta, tradutor e professor. Entre suas obras de maior repercussão estão os romances Relato de um certo Oriente, de 1989, que marcou sua estreia no gênero, e Dois Irmãos, publicado em 2000. Cinzas do Norte, de 2005, é outro título que contribui para sua notória produção.
A amplitude de sua obra pode ser medida pelos mais de 500 mil exemplares comercializados em território nacional e pelas traduções de seus livros para 16 idiomas. A força de sua narrativa é exemplificada pela adaptação de Dois Irmãos para uma minissérie da TV Globo, em 2017. O escritor ganhou duas vezes o prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira, pelos romances Dois irmãos e Relato de um certo Oriente.
Seu próximo trabalho, Dança de enganos, está previsto para lançamento em outubro, pela Companhia das Letras. Este volume finaliza a trilogia O Lugar mais Sombrio, cujo enredo centraliza-se nos impactos e traumas deixados pela ditadura militar em uma geração. A expectativa em torno desta obra é grande, consolidando ainda mais sua posição no panorama literário.
A renovação na ABL e a representatividade regional
A eleição de Hatoum para a Academia Brasileira de Letras corresponde a uma fase de significativas renovações na instituição. A ABL, que conta com 40 cadeiras para seus membros, não tinha todos os postos ocupados simultaneamente desde fevereiro. Outros nomes que recentemente passaram a integrar o quadro de imortais ou aguardam as cerimônias de posse incluem Míriam Leitão, que assumiu a vaga de Cacá Diegues, além de Paulo Henriques Britto e Ana Maria Gonçalves.
Na disputa pela cadeira de número 6, Milton Hatoum se destacou entre os candidatos, que incluíam Antônio Campos, o qual recebeu um voto, e outros como Eduardo Baccarin-Costa, Cezar Augusto da Silva, Paulo Renato Ceratti e Angelos D’Arachosia. O processo eleitoral reflete a escolha da Academia por um autor de vasto reconhecimento e influência.
A entrada de Hatoum tem um significado especial para a representatividade geográfica da ABL. Nascido em Manaus, no Amazonas, e de origem libanesa, ele se torna o único membro da região Norte em uma Academia frequentemente apontada por sua concentração de membros nascidos na região Sudeste e por ter sua sede no Rio de Janeiro.
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