EUA alertam para “influência excessiva” da China no Canal do Panamá
Representante americana na ONU questiona atuação chinesa; Pequim afirma respeitar soberania e neutralidade da rota interoceânica
A representante dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU, Dorothy Shea, voltou a comentar sobre a “influência excessiva” da China na infraestrutura ligada ao Canal do Panamá e os alegados “riscos” à “segurança e ao comércio global”.
Em reunião do conselho, ela não mencionou diretamente o controle sobre a rota, como era defendido pelo presidente Donald Trump, mas insistiu que a penetração chinesa seria significativa “em infraestrutura crítica e operações portuárias“.
O embaixador chinês Fu Cong, contudo, afirmou que o seu país reconhece a “soberania panamenha” e a neutralidade da passagem interocenânica.
Cong chamou as alegçaões de Dorothy de “mentiras e manipulações” para os Estados Unidos “buscarem o controle do canal”. O representante chinês disse que Pequim se opõe “firmemente à coerção econômica e às práticas de intimidação.”
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A história do Canal
Por décadas, o Canal do Panamá e sua zona adjacente estiveram sob controle americano, resultado de um acordo que permitiu aos EUA apoiar a independência do Panamá em relação à Colômbia em troca da construção e administração do canal.
Em 3 de novembro de 1903, com a ajuda da marinha americana, o Panamá declarou sua independência, e logo depois os EUA iniciaram a construção do canal, que foi concluído em 1914. O pagamento inicial de 10 milhões de dólares foi feito à nação panamenha, além de um aluguel anual de 250 mil dólares.
Com isso, estabeleceu-se uma verdadeira enclave americana dentro do território panamenho, onde discriminação e ressentimento pela dominação estrangeira fomentaram protestos ao longo dos anos.
Em 1964, manifestações intensas ocorreram quando cidadãos panamenhos tentaram hastear sua bandeira na zona do canal, resultando em confrontos violentos.
As tensões levaram a novas negociações entre os países, culminando nos Acordos Torrijos-Carter em 1977, que garantiram a neutralidade do canal e estipularam sua devolução ao Panamá até 31 de dezembro de 1999.