Márcio Coimbra na Crusoé: Lula hipoteca o futuro na resposta ao tarifaço
Governo recorre à reedição irresponsável de mecanismos emergenciais e à expansão descontrolada do crédito estatal
A resposta do governo Lula à imposição de tarifas por Donald Trump sobre produtos brasileiros não é apenas uma reação a uma crise comercial externa, é a revelação explícita e perigosa da cartilha populista que guia o Palácio do Planalto.
Em vez de apostar em soluções estruturais, negociações diplomáticas robustas ou ajustes para aumentar a competitividade genuína da economia, a administração petista recorre à reedição irresponsável de mecanismos emergenciais e à expansão descontrolada do crédito estatal.
Esse caminho, pavimentado com demagogia e miopia política, desestabiliza as contas públicas e hipoteca descaradamente o futuro do Brasil em nome da reeleição presidencial em 2026.
Benefício emergencial
O núcleo do plano de contingência, revelado às vésperas do chamado “Dia D” do tarifaço, espelha-se de forma alarmante no Benefício Emergencial (BEm), criado para o cenário excepcional da pandemia.
Aplicar esse remédio de guerra a um desafio comercial estrutural é um absurdo econômico que evidencia a falta de rumo.
Ressuscitar um programa que reduz jornadas de trabalho e transfere para os cofres públicos o pagamento de parte dos salários representa uma intervenção massiva e distorciva no mercado de trabalho.
Tal medida não resolve o cerne do problema – a perda de competitividade gerada pelas tarifas – e apenas mascara seus efeitos imediatos com injeções insustentáveis de dinheiro público, criando uma perigosa dependência e adiando ajustes inevitáveis.
Cortina de fumaça
A demagogia, contudo, não se limita ao mercado de trabalho. O governo planeja lançar uma verdadeira enxurrada de novos programas sociais e ampliar outros existentes, usando o tarifaço como cortina de fumaça para justificar uma farra fiscal pré-eleitoral.
Lula, num repentino giro tático que culminará em pronunciamento em rede nacional – estratégia alterada às pressas para maximizar impacto político –, pretende anunciar ao menos seis novos programas ou expansões.
A lista é um catálogo de clientelismo: ampliação do Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda de até R$ 12 mil, juros subsidiados para crédito destinado a reformas residenciais, reedição do vale-gás para 16 milhões de famílias, linhas de crédito facilitadas para motos elétricas destinadas a entregadores de aplicativos e mais auxílios direcionados aos caminhoneiros.
O objetivo transparente é inflar artificialmente a popularidade presidencial, custe o que custar ao Erário.
O oportunismo não se restringe ao social. O setor produtivo, ávido por benesses estatais, entrou em campo para colher seus frutos.
Crédito direcionado
Pleiteia, por um lado, a flexibilização das leis trabalhistas durante o período do tarifaço. Por outro, exige uma linha de crédito emergencial para permitir que exportadores honrem seus Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACCs), aliada a uma ampla facilitação de crédito.
Apesar do aparente caráter paliativo, essa demanda representa uma alarmante expansão do crédito estatal direcionado, sem critérios rígidos de sustentabilidade ou foco em ganhos reais de eficiência.
O agronegócio, setor crucial e fortemente impactado, já recebeu promessas de socorro via Plano Safra, enquanto setores como…
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