Setor automotivo tem queda trilionária em 2025
Segundo levantamento da Nikkei Asia, a perda de valor no setor automotivo passou de 1 trilhão de reais só nos primeiros 7 meses do ano
O setor automotivo global levou uma bela pancada em 2025. Montadoras e fornecedores listados em bolsa já acumulam cerca de 200 bilhões de dólares, equivalente a cerca de 1,1 trilhão de reais, a menos em valor de mercado nos 7 primeiros meses desse ano, segundo artigo do Nikkei Asia.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos, combinadas a outros fatores econômicos, aumentam custos e reduziram as previsões de vendas.
No fim de julho, a capitalização de mercado conjunta das empresas do setor caiu para 3,35 trilhões de dólares, um recuo de 6% em relação a dezembro do ano passado.
No mesmo período, o índice global MSCI All Country World Index, um índice de ações global que acompanha o desempenho de mercados desenvolvidos e emergentes, avançou mais de 20%, impulsionado por companhias de tecnologia como Nvidia e Microsoft.
Segundo dados da Nikkei, o contraste entre setores é gritante. Enquanto o índice de automóveis e componentes relacionados caiu 15% desde o início do ano, a maior queda entre 23 segmentos analisados, o de semicondutores subiu 20%, apoiado pelo aumento dos investimentos em data centers e pela demanda por inteligência artificial.
Entre as fábricas, a japonesa Toyota teve uma redução maior, de 33,1 bilhões de dólares em valor de mercado e calcula impacto de 1,21 bilhão apenas entre abril e maio.
A Stellantis, dona de marcas como Jeep e Fiat e Peugeot, registrou prejuízo líquido de 2,3 bilhões de euros no primeiro semestre e suspendeu a produção em fábricas no México, Canadá e Estados Unidos, o que resultou em queda de 33% no valor de mercado.
A General Motors perdeu 15% de valor de mercado e registrou queda de 35% no lucro líquido do segundo trimestre, com 1,1 bilhão em custos de importação ligados às tarifas.
No mesmo período, a Tesla, mais valiosa do setor, perdeu cerca de 23% do seu valor de mercado, ou pouco mais de 300 bilhões de dólares, mas nesse caso também pesaram as posições políticas de Elon Musk, impopulares junto a muitos consumidores, e a ruptura com Trump, que preocupa investidores.
Muitas empresas do setor automotivo avaliam alternativas, como deslocar partes da cadeia de suprimentos para os Estados Unidos e assim reduzir o impacto das tarifas.
Só que essa reorganização pode envolver novos fornecedores, investimentos em fábricas e revisão de contratos de importação, medidas que exigem tempo e mais gastos.
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Comentários (1)
Lucas Parnoff
08.08.2025 11:16Na maioria dos brasileiros que ganham até 3 salários mínimos, não tem como ficar cada pouco trocando/comprando carros, então não vemos muita diferença, mas aqueles que precisam comprar veículos para os seus negócios devem ver o quanto está complicado adquirir-los aqui no Brasil, especialmente por causa do nosso manicômio tributário e em especial o IPVA. Acaba sendo uma visão limitada a minha, mas me parece que já foram criados mais veículos do que pessoas que existem no mundo, e daí fica a pergunta, qual será a destinação dos veículos que não podem mais ser usados, seja por acidente/incidente/depreciação ou problemas mecânicos/elétricos que impedem o uso do veículo. Será que serão reaproveitados de alguma forma? Ou só vão ajudar a criar mais lixo no planeta? Eu fico com minhas dúvidas. Mas essas quedas, mesmo que não tivesse o tarifaço do Trump ainda iriam acontecer, cedo ou tarde, pois isso aconteceu em 1929 com a Ford, não é difícil de imaginar isso, porém eu não vejo qual o lugar que isso vai levar a economia mundial, por isso preciso estudar mais a respeito.