Líder do PL pede desculpas a Hugo Motta: “Não fui correto”
Segundo Sóstenes Cavalcante (RJ), é preciso uma reconciliação na Câmara dos Deputados, para dar exemplo para o Brasil
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu desculpas ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta quinta-feira, 7, pela forma como tratou Motta na quarta, 6, em meio à ocupação da Mesa Diretora da Câmara pela oposição. O pedido de desculpas foi feito durante discurso no plenário. Sóstenes estava acompanhado de outros deputados oposicionistas.
“Quero agradecer a vossa excelência [Motta], que inclusive comigo foi muito paciente. E eu não gosto de fazer coisas, apesar que eu não fiz isso em público, não te expus publicamente, mas ontem com acirrados ânimos, eu, com vossa excelência, não fui correto, e te peço perdão, da tribuna da Câmara. Não fui correto no privado. Mas faço questão de vir em público e te pedir perdão”, falou o líder do PL.
Na sequência, ele mencionou uma suposta agressão sofrida pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG); Nikolas diz ter sido empurrado pela deputada Camila Jara (PT-MS) na sessão de quarta do plenário.
“Acho que muitos colegas aqui, no calor da emoção, seja da esquerda, que eu vi uma colega da esquerda agredindo o deputado Nikolas, ela não foi feliz. Nós não estávamos emocionalmente estruturados para aquilo. E se depender de mim, presidente, conversei ontem com o deputado Nikolas, se depender do PL, não vamos representar contra a deputada da esquerda”, disse Sóstenes.
“Sabe por quê? Porque ela emocionalmente estava como todos nós, inclusive eu. Precisamos de uma reconciliação nesta Casa, de boa convivência, para dar exemplo para o Brasil. O Brasil nos olha, inspirado em nós”.
Ele prosseguiu: “Nós fomos votados, teve gente que acreditou na gente para estar aqui. Precisamos pacificar este país. É o apelo que eu faço aos meus colegas, agradecendo e pedindo desculpa a todos agora, se em algum momento eu fui indelicado com alguns dos senhores ou das senhoras, nunca foi minha intenção”.
Após as falas, Motta cumprimentou Sóstenes. “Ontem foi um dia de muitos desafios para todos que fazem parte desta Casa, e da parte desta presidência nada mais nós queremos do que a retomada da institucionalidade, do bom andamento dos trabalhos, e daquilo que é importante para… um valor, sim, que é inegociável para todos nós, que a nossa democracia possa prevalecer aqui diante das votações”, acrescentou.
Obstrução no plenário
A oposição ocupou a Mesa Diretora da Câmara de terça, 5, até a noite de quarta-feira, 6, em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) e a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e para pressionar a Casa a avançar com o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Motta retomou a Mesa da Câmara às 22h20 na quarta, após um logo período de discussões entre líderes e de líderes com o congressista em busca de um acordo para que a obstrução física da oposição fosse encerrada de maneira pacífica. Até mesmo o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) foi consultado por lideranças. No fim, os oposicionistas desocuparam os assentos e a Polícia Legislativa não precisou atuar.
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