“Diferenças políticas devem ser resolvidas nas urnas”, diz vice-secretário dos EUA sobre Uribe
Número 2 do Departamento de Estado criticou "instrumentalização dos sistemas judiciais contra oponentes políticos"
O vice-secretário de Estado americano, Cristopher Landau (foto), manifestou preocupação com a alegada “instrumentalização dos sistemas judiciais” contra opositores políticos, após a justiça colombiana declarar culpado o ex-presidente Álvaro Uribe pelo crime de suborno de testemunhas.
Em postagem no X, Landau afirmou que as diferenças “devem ser resolvidas nas urnas” e que o Judiciário precisa garantir a neutralidade na aplicação da lei.
Eis a íntegra da publicação:
“Uma das tendências perturbadoras do nosso tempo é a instrumentalização dos sistemas judiciais contra oponentes políticos. Nossas diferenças políticas devem ser resolvidas nas urnas, não nos tribunais.
Obviamente, isso não significa que alguém deva gozar de imunidade à aplicação neutra da lei, mas promotores e juízes devem garantir que a lei esteja de fato sendo aplicada de forma neutra a adversários políticos. Infelizmente, isso não aconteceu na grande nação da Colômbia.
Esse país tem uma orgulhosa tradição de independência judicial, pela qual muitos juízes pagaram com suas vidas, mas essa tradição agora foi manchada pelo julgamento de ontem contra o ex-presidente Álvaro Uribe.
Como amigo da Colômbia, espero e aguardo que os tribunais de apelação da Colômbia ponham fim a esse abuso processual e judicial”, escreveu no X.
Culpado
A juíza Sandra Liliana Heredia Arana, do 44º Tribunal Penal de Bogotá, declarou Uribe culpado na segunda, 28.
Na decisão, ela afirmou que o ex-presidente teria oferecido – por meio de advogados – benefícios a testemunhas em troca de depoimentos favoráveis.
“A primeira propina em um processo criminal, em termos da materialidade da conduta punível, foi comprovada”, afirmou a magistrada.
Durante o julgamento, Uribe disse sentir uma “dor na alma” por ser o primeiro ex-presidente do país a ter que se defender na Justiça e afirmou ser vítima de “conspiração idealizada por juízes e opositores que usaram interceptações [telefônicas] ilegais” para obter provas contra ele.
Histórico do caso
O caso teve origem em 2012, quando o próprio Uribe acusou o senador Iván Cepeda de obter um falso testemunho contra ele sobre as origens do paramilitarismo em Antioquia.
No entanto, a coleta de provas alterou o curso do caso e apontou para uma estratégia de manipulação de testemunhas, o que levou Cepeda de acusado à vítima e o próprio Uribe a ser investigado.
Em 2018, a Corte Suprema da Colômbia abriu uma investigação sobre o ex-presidente.
Em 2020, Uribe foi colocado em prisão domiciliar por ordem da Suprema Corte e renunciou ao Senado. O caso foi arquivado pela Procuradoria-Geral, contudo, três anos depois, um juiz reabriu o processo.
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