Local de filmagem de “The Odyssey”, de Christopher Nolan, gera polêmica
Organizadores do Festival Internacional do Filme do Sahara Ocidental expressaram sua preocupação sobre a realização de filmagens na cidade de Dakhla
Organizadores do Festival Internacional do Filme do Sahara Ocidental expressaram sua preocupação sobre a realização de filmagens do novo filme de Christopher Edward Nolan na cidade de Dakhla.
Segundo a organização do evento trata-se de “um lugar magnífico com dunas de areia que poderiam servir de cenário cinematográfico, mas que é, acima de tudo, uma cidade ocupada e militarizada, onde a população sahraui enfrenta uma repressão brutal”.
A cidade costeira, situada ao oeste da Mauritânia e ao sul do Marrocos, foi anexada pelo Reino Marroquino em 1975, após a retirada das tropas espanholas. Desde então, a região tem sido reivindicada pela República Árabe Sahraui Democrática, proclamada pelo Front Polisario em 1976.
Esta organização, que conta com o apoio da Argélia, busca a total independência do Sahara Ocidental.
Desde um cessar-fogo acordado em 1991, o Marrocos controla cerca de 80% do território, enquanto o Front Polisario detém apenas 20%.
Uma extensa barreira de segurança conhecida como “muro marroquino” divide as duas áreas.
No ano passado, o Secretário-Geral das Nações Unidas destacou que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos não tem acesso à região desde 2015 e que continuam a ser recebidas denúncias sobre violações dos direitos humanos, incluindo intimidações e discriminação contra os sahrauis.
A ONG Repórteres Sem Fronteiras classificou recentemente o Sahara Ocidental como um “deserto para jornalistas”, ressaltando que “tortura, prisões, violência física e perseguições são parte da rotina enfrentada por jornalistas sahrauis”, segundo informações veiculadas pelo Guardian.
Um apelo a Christopher Nolan
Em resposta à presença do cineasta Christopher Nolan no território contestado, a direção do festival critica sua equipe por potencialmente contribuir para a repressão do povo sahraui sem ter plena consciência disso.
Eles afirmam: “Estamos convencidos de que se compreendessem todas as implicações de filmar em um local onde os povos indígenas não podem contar suas próprias histórias sob ocupação, Nolan e sua equipe ficariam horrorizados”.
O festival fez um apelo para que Nolan se solidarizasse com o povo sahraui, que enfrenta repressão há mais de 50 anos em sua luta pacífica pela autodeterminação.
A organização denunciou ainda a estratégia marroquina de receber bem aqueles que ajudam a propagar o discurso de que o Sahara Ocidental pertence ao Marrocos e que os sahrauis estão satisfeitos sob sua autoridade.
A Odisséia
A expectativa é que Christopher Nolan responda ao apelo do festival. O lançamento de seu filme “The Odyssey” está previsto para 17 de julho de 2026.
O filme é mais uma adaptação do clássico poema heroico de Homero, uma continuação de Ilíada que conta a história de Odisseu (Ulisses) tentando por 10 anos retornar para casa em Ítaca após a vitória na guerra de Tróia. Irado, o deus dos mares, Poseidon, faz de tudo para impedir que ele volte à sua esposa, Penélope.
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Comentários (1)
Fabio B
29.07.2025 14:41Fazia tempo que não sentia hype algum para ir no cinema. Esse promete!