Taxação, soberania e o limite do fundilho que molda o caráter
O país asiático é nosso maior parceiro comercial. Abandonar o que chamo “alinhamento incondicional” é diferente de romper com os chineses
Como é mesmo? “Quem muito se abaixa mostra o fundilho”. Pois é. Ditado da vovó, né? Mas sempre verdadeiro e atual. A questão, contudo, não é se abaixar, mas: quanto, com qual frequência e para quem? Porque, em uma medida ou outra, todos os dias, algumas ou muitas vezes, estrategicamente, estamos sempre nos abaixando e, talvez, mostrando além da conta.
Pais, filhos, amigos, chefes, clientes, autoridades, superiores… Não importa. Um adulto comum, dotado de alguma inteligência emocional, desapego narcísico e senso objetivo, sabe que não vive sozinho e, principalmente, que precisa de um ecossistema equilibrado em seu entorno para – desculpe a ilusão retórica – ser feliz. Por isso, exceções e concessões são feitas o tempo inteiro.
Agradar, viver – e conviver! – em harmonia, com quem a gente ama e precisa, assim pede, diuturnamente. De igual sorte, prosperar na profissão exige o mesmo comportamento que, a meu ver, mostra maturidade, e não submissão. Parafraseando outro ditado popular: “A diferença entre um remédio e o veneno é a dose”. No caso em tela, é a mais absoluta verdade – e realidade.
Não bata bumbo para surdo
Donald Trump, a despeito de um bufão grotesco, está sentado na cadeira mais poderosa do mundo, com uma caneta kamikaze nas mãos e, o que é mais incrível, praticamente sem freios e contrapesos internos – externos, então, nem pensar. Ainda mais incontrolável, agressivo e imprevisível (talvez pela idade), atua como um miliciano transnacional, abandonando o decoro e as alianças históricas, trazendo uma instabilidade geopolítica raras vezes vista.
Querer dialogar – diplomaticamente ou comercialmente – nos moldes tradicionais, não produz resultado prático, e isso já se sabe. Partir para o confronto aberto, medindo forças, menos ainda. Até porque, o poderio econômico, militar e institucional americano é insuperável, sobretudo nas mãos de um louco. A solução, se é que podemos chamar assim, seria o comportamento submisso, próprio de quem não merece o devido respeito – que não merecemos mesmo.
No lugar da diplomacia brasileira, eu acataria as imposições comerciais americanas sem qualquer tipo de retaliação (o que não significa não tentar negociar à exaustão). Bater de frente, impondo reciprocidade, traria mais barreiras alfandegárias e aumento de custos de importações – leia-se, aumento de preços internos e mais inflação. Sob a ótica política, deixaria de lado o antiamericanismo bocó e o alinhamento incondicional com os Brics – leia-se, China.
Se não der, não deu
Atenção: o país asiático é hoje o nosso maior parceiro comercial. Abandonar o que chamo de “alinhamento incondicional” é muito diferente de romper com os chineses. Portanto, não confundam as coisas. Já sobre STF, Bolsonaro, anistia etc., eu nem tocaria no assunto. Uma vez à tona, tergiversaria. Na insistência e na imposição incondicional, simplesmente mandaria um “Fuck You, Elon Musk” (espero que entendam a ironia) o mais educado possível e voltaria para o Brasil, chorar na cama que é lugar quente.
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Comentários (3)
Emerson
28.07.2025 16:04Alguma vez o atual e o anterior mandatário admitiram que erraram ?
Eliane ☆
28.07.2025 15:26Hahaha Dando gargalhada logo de cara. Os velhos "deitados"populares,mais as análises. Muito bom.
Rosa
28.07.2025 12:34Esse cara é bom! (kkk)