Lula: “Se o Trump tivesse me ligado, eu explicaria a situação do Bolsonaro”
Segundo o petista, Bolsonaro "está sendo julgado com todo o direito de defesa" e o presidente americano foi enganado
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira, 25, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi induzido a acreditar numa “mentira” sobre Jair Bolsonaro (PL) e que teria explicado a “verdade” para ele se tivesse telefonado ao petista. As declarações foram feitas durante discurso na cerimônia de anúncio dos projetos habilitados pelo Novo PAC Seleções 2025 – Urbanização de Favelas, em Osasco (SP).
“O Brasil tem 201 anos de relação com os EUA. Uma relação muito respeitosa, uma relação em que a gente preza pela qualidade dela. Por isso eu estranhei que o presidente norte-americano publicasse uma carta para mim no portal dele, dizendo que o Brasil iria ser taxado em 50%. E pede na carta que a gente pare de perseguir Bolsonaro imediatamente”, iniciou Lula.
“Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com o ex-presidente. Eu explicaria, porque eu tenho boa relação com todo mundo. Se ele me ligasse… não, mas ele foi induzido a acreditar numa mentira de que o Bolsonaro está sendo perseguido”.
Lula pontuou que o político do PL não está sendo perseguido. “Ele está sendo julgado com todo o direito de defesa, ele tentou dar um golpe [de Estado] neste país, ele não queria que eu e o [Geraldo] Alckmin tomássemos posse e chegou a montar uma equipe para matar o Lula, o Alckmin e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o Alexandre de Moraes. Isso já está provado”.
Se Trump tivesse ligado para ele, afirmou o petista, teria explicado isso. “E eu disse numa entrevista: se o presidente Trump morasse no Brasil e ele tivesse feito aqui o que ele fez no Capitólio nos EUA, ele também estaria sendo julgado. Porque quem manda neste país é o povo brasileiro, e o povo brasileiro está esperando que se faça Justiça. Se o Bolsonaro for inocente, ele vai ser livre”, acrescentou.
Com a fala, Lula se referia ao ataque realizado por apoiadores do republicano ao Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021, por terem ficado inconformados com o resultado da eleição presidencial americana de 2020, vencida pelo democrata Joe Biden.
“Trump, o dia que você quiser conversar, o Brasil estará pronto e preparado para discutir, para tentar mostrar o quanto você foi enganado com as informações que te deram e você vai saber a verdade sobre o Brasil. E quando você souber da verdade, você vai falar ‘Lula, eu não vou mais taxar o Brasil, vamos ficar assim do jeito que está’. É isso. Mas é preciso conversar”, declarou o presidente brasileiro.
Cobrança de atitude
Ainda no discurso, Lula criticou a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos e cobrou uma atitude da Câmara dos Deputados em relação ao parlamentar. Segundo o petista, Eduardo está traindo o Brasil e os brasileiros e “trocando” o próprio país pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Agora veja que absurdo: esses mesmos cidadãos ou cidadãs que utilizavam a camisa da Seleção Brasileira e a bandeira nacional dizendo ser patriotas estão agora agarrados nas botas do presidente dos EUA pedindo para ele fazer intervenção no Brasil“, pontuou Lula.
“Numa total falta de patriotismo. Junta a falta de patriotismo com a sem-vergonhice, com traição. Estão pedindo para o presidente da República dos Estados Unidos aumentar a taxa das coisas que vendemos para eles para poder libertar o pai. Ou seja, trocando o Brasil pelo pai. Que patriota que é esse?”, acrescentou.
Pouco depois, Lula fez a cobrança à Câmara: “Esse cara está traindo a nação, está traindo o povo brasileiro. Era deputado federal. [Guilherme] Boulos, [Jilmar] Tatto, vocês na Câmara precisam tomar uma atitude. Esse cara é deputado, se afastou, foi lá para os Estados Unidos ficar pedindo ‘Oh, Trump, oh, Trump, salva o meu pai, Trump, salva o meu pai'”. A última frase foi proferida em tom de deboche.
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Comentários (1)
NIEMEYER FRANCO
26.07.2025 14:19Lula expôs o que todo brasileiro, numa mais simples experiência democrática, tem consciência. Tiraram a camisa verde e amarelo, bateram e se enrolaram numa bandeira diferente da que defendiam.