Deputado pede ação das Forças Armadas após decisão de Moraes contra Bolsonaro
Coronel Chrisóstomo (PL-RO) criticou a imposição de medidas cautelares ao ex-presidente, como o uso de tornozeleira eletrônica
O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO), vice-líder da oposição na Câmara, pediu nesta sexta-feira, 18, uma ação das Forças Armadas, ao criticar a imposição de medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Eu só quero fazer um último pedido aqui agora para as Forças Armadas. Eu sou das Forças Armadas, me orgulhava das Forças Armadas, me orgulhei das Forças Armadas em 1964, embora fosse ainda menino, criança. Hoje eu quero dizer o seguinte: Forças Armadas, estejam ao lado do povo brasileiro, estejam ao lado da democracia“, declarou, em entrevista coletiva, no Senado, ao lado de outros parlamentares de oposição.
Em 1964, ano mencionado pelo parlamentar, as Forças Armadas deram um golpe de Estado no Brasil, depondo o presidente João Goulart, e implementaram uma ditadura que durou 21 anos.
Em sua manifestação no Senado ainda, Chrisóstomo disse que Moraes “persegue impiedosamente” Bolsonaro
“Estamos entristecidos com isso que aconteceu com o presidente Bolsonaro agora, algo totalmente ilegal dentro do processo jurídico”, pontuou, se referindo à imposição das medidas cautelares.
“Relatei [o projeto de decreto legislativo] sobre o IOF, com 383 assinaturas, e um outro Poder derrubou a vontade do povo brasileiro com 383 assinaturas. Eu fui o relator. Quanta tristeza a gente lutar, fazer um relatório pensando no Brasil, nos mais pobres, e um outro Poder, um único cidadão, derruba a vontade de 383 deputados e praticamente aclamação do Senado. Aonde vamos chegar? O que querem fazer do Brasil? Porque o comunismo já está à porta”, acrescentou, se referindo a outra decisão de Moraes.
O que disse o ministro?
Na decisão em que impõe medidas cautelares a Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e proibição de usar redes sociais, Moraes diz que a conduta do réu caracteriza, em tese, três crimes, entre os quais atentado à soberania.
“A conduta do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO, em tese, caracterizadora dos crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa e atentado à soberania, é tão grave e despudorada que na data de hoje (17/7/2025), em entrevista coletiva, sem qualquer respeito à Soberania Nacional do Povo brasileiro, à Constituição Federal e à independência do Poder Judiciário, expressamente, confessou sua consciente e voluntária atuação criminosa na extorsão que se pretende contra a Justiça brasileira, CONDICIONANDO O FIM DA ‘TAXAÇÃO/SANÇÃO’ À SUA PRÓPRIA ANISTIA”, pontua o magistrado.
Ele se refere à entrevista na qual o ex-presidente disse que o presidente americano, Donald Trump não estaria pedindo “muito” se de estiver solicitando anistia para Bolsonaro como condição para não impor tarifas extras de 50% sobre os produtos brasileiros.
“‘Ah, o Trump quer anistia’. Eu não sei o que ele quer, pergunte para ele. Se me derem carta branca para negociar, pode ter certeza que acordo vai sair. E vamos supor que ele queira anistia. É muito? Porque se continuar esses 50%, tem gente que acha que não vai sofrer, todo mundo vai sofrer, em especial os mais pobres. É muito se ele pedir isso aí? Botar na balança, é muito? E anistia é algo privativo do Parlamento”, declarou naquela ocasião.
O ministro cita na decisão declarações públicas, publicações em redes sociais e até apoio de Trump como evidência de uma campanha coordenada para pressionar o Judiciário brasileiro.
De acordo com Moraes, as condutas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Jair apontam que os investigados estão, permanentemente, atuando para “obstruir e interferir” no regular curso da ação penal que apura a atuação do chamado “núcleo 1” da suposta tentativa de golpe ocorrida entre 2022 e 2023, e nas investigações em andamento no âmbito do STF.
Dessa forma, acrescenta, é necessária a realização da busca e apreensão, “de modo a demonstrar um aprofundamento dos fatos apurados com relação ao alinhamento e à atuação conjunta dos investigados Eduardo e Jair na prática delitiva”.
Em outro trecho, Moraes pontua que as ações de Jair demonstram que o réu “está atuando dolosa e conscientemente de forma ilícita, conjuntamente com o seu filho, Eduardo, com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado estrangeiro, por meio de atos hostis derivados de negociações espúrias e criminosas com patente obstrução à Justiça e clara finalidade de coagir a Corte no julgamento da ação penal”.
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Comentários (4)
Guilherme Rios Oliveira
18.07.2025 21:55Palhaçada, porque não pede providência a seus colegas senadores, que são os únicos que tem atribuição constitucional contra as arbitrariedades dos ministros do STF. Deixa os militares onde estão.
Joaquim Arino Durán
18.07.2025 21:20Eu começaria pela Marinha...
FRANCISCO JUNIOR
18.07.2025 20:05Coronel, como diria um outro capitão: você é um fanfarrão. Bolsonaro nem está preso em condições sub-humanas, nem está sendo torturado - coisas que vocês bolsonaristas sempre foram a favor. AI-5 nos olhos dos outros é refresco, certo?
Denise Pereira da Silva
18.07.2025 19:09E os aloprados do Bolsonaro continuam aloprando a todo vapor. Não aprenderam a lição das consequências da tentativa ridícula de golpe de Estado do Capitão Covarde e persistem insistindo no tema.