Mourão: “Não aceito que Trump venha meter o bedelho”
Vice na gestão de Bolsonaro, o senador criticou o argumento usado pelo presidente americano para taxar o Brasil
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente na gestão de Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça-feira, 15, não aceitar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “venha meter o bedelho” em assuntos internos.
“Eu quero deixar uma coisa aqui muito clara. Da mesma forma, caros colegas aqui, que eu não aceito que [Emmanuel] Macron, que Greta Thunberg, que Leonardo DiCaprio e outros venham meter a mão em coisas aqui do Brasil, eu também […] não aceito que Trump venha meter o bedelho num caso aqui, que é interno nosso. Há uma injustiça sendo praticada contra o [ex-] presidente Bolsonaro? Há uma injustiça sendo praticada, mas compete a nós brasileiros resolvermos isso”, disse o senador durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
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Soft power x hard power
Segundo Mourão, a Casa Branca preferiu abandonar o conceito de soft power, que durante anos conduziu a política externa americana sob o preceito da atração, para adotar uma linha de ação que privilegia a coerção e o dinheiro.
“A gente não pode fugir da contextualização do momento que nós estamos vivendo. E é importante a gente compreender que o poder se exerce de três formas: pela coerção, pelo dinheiro ou pela atração. As duas primeiras são aquilo que se chama de hard power, de poder bruto. E a terceira, o poder da atração, é o soft power. Desde que o novo presidente [Donald Trump] tomou posse nos Estados Unidos, ele partiu para uma linha de ação de usar o poder bruto que o país tem, de coerção e dinheiro, e abandonou o soft power que os Estados Unidos atuam durante muitos anos na sua política externa.
Sempre lembrando que a visão dele de relações internacionais era diplomacia, comércio exterior, liberdade… e ele está exatamente atentando contra isso. Num momento de reorganização da ordem mundial. Essa ordem tem durado ao longo dos últimos 80 anos. Ela vem do fim da Segunda Guerra Mundial para cá. E o país mais beneficiado nesse processo foram os Estados Unidos da América. Não há dúvida nisso.”
A estratégia de Trump
Para o senador, a estratégia de Donald Trump terminará prejudicando os interesses dos EUA.
“Então, me parece que a estratégia que o presidente Trump vem adotando é uma estratégia que vai terminar por prejudicar os interesses da grande nação americana. E obviamente que em algum momento isso viria para o lado de cá, para o lado do Brasil. Quando a gente olha as relações que os Estados Unidos tem com a maioria dos países são de interdependência assimétrica. Os Estados Unidos são superavitários com muitos, mas são deficitários com outros. Normalmente, numa relação de interdependência assimétrica, aquele que é o deficitário tem algumas vantagens na hora de negociar. Então é algo que a gente tem que analisar. Aqui no nosso caso, de todos aqueles produtos que foram citados, que saem daqui do Brasil e que vão para os Estados Unidos, assim como aqueles que vêm daqui para cá. E aí eu coloco aquilo que o Jefferson Gomes [diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria] falou muito claramente aqui: os negócios são entre empresas. Raramente são entre governos. Mesmo quando se trata de produtos de defesa, mas são empresas que estão vendendo. Então isso é uma grande realidade.”
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Comentários (1)
Fabio B
15.07.2025 15:54Mamateiro e bravateiro.