A taxa é nossa
Os brasileiros estão espremidos entre as torcidas de duas taxas, as tarifas adicionais de 50% de Trump e a "Taxação BBB" de Haddad
Os brasileiros estão espremidos entre as torcidas de duas taxas.
De um lado, os apoiadores de Jair Bolsonaro celebram a imposição de tarifas adicionais de 50% aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos de Donald Trump, porque tentam convencer que isso serve de punição ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Do outro, os apoiadores de Lula tentam esconder sob o discurso de ricos contra pobres a sede do governo federal por aumento de impostos que sustentem a gastança do petista e deem sobrevida ao seu mandato, ou pelo menos um fim menos feio a sua carreira política.
As duas torcidas agem como se não existisse apenas um país. Como se os encargos das tarifas e impostos fossem recair apenas sobre os adversários, mas todo mundo paga a conta junta.
“Buscamos evitar o pior”
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que prefere se descrever como “deputado federal em exílio” nos Estados Unidos, disse, em nota pública, que “a carta do presidente dos Estados Unidos apenas confirma o sucesso na transmissão daquilo que viemos apresentando com seriedade e responsabilidade”.
“Desde o início da nossa atuação internacional, buscamos evitar o pior, priorizando que sanções fossem aplicadas de forma individualizada, com foco no principal responsável pelos abusos: Alexandre de Moraes. Sanções que muito possivelmente ainda serão adicionalmente implementadas, sem prejuízo da sua expansão também contra os seus apoiadores diretos”, disse Eduardo.
Se as sanções a Moraes “muito possivelmente ainda serão adicionalmente implementadas“, então as tarifas adicionais de Trump não têm nada a ver com o caso do ministro do STF, que foi usado por Trump apenas como pretexto em uma carta cujos argumentos nem sequer fazem muito sentido.
Aquele 1%
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai refinando seu discurso para tentar colocar a mão mais fundo no bolso do brasileiro. O que começou como aumento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para evitar o contingenciamento de 20 bilhões de reais virou “justiça tributária”.
“Nós devemos comemorar o fato de que, de novo, nós estamos entre as 10 maiores economias do mundo, de novo com o governo Lula, mas nós continuamos entre as 10 piores economias do mundo do ponto de vista da igualdade social, da distribuição de renda”, lamentou Haddad em entrevista ao Metrópoles, uma das muitas que tem dado para modelar seu discurso.
“Então, não é razoável que 1% da população faça esse inferno na internet, dizendo que nós estamos colocando nós contra eles. Nós quem? 99% contra um. Como assim? E contra por quê? Se eles não pagam nem o que nós pagamos”, disse Haddad.
E a pergunta deveria ser devolvida a ele: nós quem?
“Se eles pagassem pelo menos o que nós pagamos, 99%, estava de boa. Mas não, eles, esse 1%, não quer pagar nem o que os 99% pagam. Então, a pergunta é, ‘é nós contra eles ou é eles contra nós?’ O que que tá acontecendo no Brasil? Por que que esse 1% tem tanta influência no país pagando menos do que os 99?”, completo o ministro, como se fosse um sindicalista da década de 1980.
No shopping de Janja
O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) protestou na quarta-feira, 9, a favor da “Taxação BBB” de Haddad, que alegadamente mira bancos, bilionários e bets. A manifestação ocorreu no Shopping Leblon (foto), frequentado pela primeira-dama Janja.
Há uma semana, o MTST fazia o mesmo protesto no saguão da sede do Itaú, na avenida Faria Lima, em São Paulo, junto com a Frente do Povo Sem Medo. Se há uma coisa de que o povo deveria ter medo, é de torcida de imposto no Brasil.
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Comentários (2)
Joaquim Arino Durán
14.07.2025 20:27A primeira derrota eleitoral de uma sequência de três (prefeitura, governo de estado e presidência), foi de vexatórios 16% dos votos ao tentar se reeleger. Raddard se notabilizou por instalar milhares de equipamentos aproveitando uma série de mudanças no trânsito e ir fundo no bolso dos munícipes. Depois dessa tripleta de derrocadas foi agraciado com o atual cargo, seguindo a mesma prática.
Ita
10.07.2025 10:10Nós, neste momento, estamos lascados: de um lado um palanqueiro e seu partido que usam na retórica contra o poderoso irmão do norte, sobrevivência política; do outro, um palanqueiro que se acha dono da "direita" e não quer perder esse status auxiliado pelo bananinha que, no mínimo, é um boçal que já deveria ter sido caçado pela câmara. Vamos ver até quando...