Colômbia: Gustavo Petro enfrenta crise política e tensão diplomática
O cerco judicial se fecha ao redor dos aliados mais próximos de Petro. O escândalo envolvendo a Unidade Nacional de Gestão de Riscos (UNGRD) levanta questões sobre corrupção dentro do governo
A ministra das Relações Exteriores, Laura Sarabia, ex-assessora, próxima do presidente colombiano Gustavo Petro no Departamento Administrativo da Presidência (DAPRE), anunciou,na manhã de quinta-feira, 3 de julho, sua renúncia após divergências com o chefe do Executivo sobre uma licitação para impressão de passaportes. Em resposta, Petro desejou-lhe boa sorte.
Duas horas após a renúncia de Sarabia, um tribunal ordenou a captura de Carlos Ramón González, ex-diretor do DAPRE, envolvido em um escândalo de corrupção. O presidente não se manifestou sobre a situação do ex-funcionário de maior destaque em seu governo.
Adicionalmente, o cerco judicial se fecha ao redor dos aliados mais próximos de Petro. O escândalo envolvendo a Unidade Nacional de Gestão de Riscos (UNGRD) levanta questões sobre corrupção dentro do governo e gera preocupações adicionais para o presidente.
A ordem de detenção contra Carlos Ramón González suscita incertezas quanto à extensão da corrupção no gabinete presidencial e coloca em xeque a integridade da administração.
Tensão diplomática com os EUA
O terceiro e mais significativo abalo político veio dos Estados Unidos. O secretário de Estado, Marco Rubio, convocou seu embaixador interino em Bogotá para discutir as “declarações infundadas” atribuídas ao governo colombiano.
Isso ocorreu após Petro ter solicitado uma investigação sobre possíveis tentativas de golpe de Estado envolvendo seu ex-ministro Álvaro Leyva e dois congressistas republicanos.
Preferindo canais não convencionais para diplomacia, o presidente também chamou seu embaixador em Washington para consultas, aumentando a tensão nas relações bilaterais.
Em um evento na Casa de Nariño para a posse de um novo magistrado da Corte Constitucional, ele evitou comentar sobre as crises envolvendo González e Sarabia e minimizou a preocupação em torno da posição de Rubio: “Não creio que Marco Rubio esteja orquestrando um golpe contra mim; isso é algo que deve ser investigado pela Procuradoria Geral”, afirmou Petro.
As crises emergentes destacam vulnerabilidades no governo de Petro, sendo a relação com os Estados Unidos a mais crítica.
Um primeiro atrito ocorreu no início do ano quando o governo Trump ameaçou impor tarifas comerciais após decisões controversas tomadas pelo presidente colombiano relacionadas à deportação de migrantes.
Embora essa questão tenha sido resolvida temporariamente, as relações entre os dois países permanecem tensas e marcadas por um tom hostil.
Petro provoca reação de Emmanuel Macron
Em recente cúpula internacional, o presidente colombiano Gustavo Petro criticou a desigualdade no acesso às vacinas durante a pandemia de Covid-19.
Ele enfatizou que, apesar da capacidade de produção de vacinas na África do Sul ser significativamente maior, a distribuição inicial favoreceu países desenvolvidos, como os Estados Unidos e as nações europeias:
“Enquanto vidas eram perdidas em nosso continente, o que se viu foi um fluxo prioritário de vacinas para o Ocidente”, declarou Petro, conforme reportado pelo jornal El País.
Petro prosseguiu com críticas direcionadas aos países do Norte, apontando uma mudança no foco das discussões internacionais:
“Três anos atrás, a crise climática dominava as pautas; agora, o tema da imigração tomou conta”, disse ele. O presidente colombiano ressaltou que muitos políticos utilizam discursos anti-imigração para angariar votos, promovendo divisões sociais ao invés de buscar soluções integradoras.
A resposta de Emmanuel Macron não tardou a chegar. Durante seu discurso, o presidente francês expressou sua indignação: “Exijo respeito! Existem políticos na Europa que se dedicam a combater a extrema direita e que não estão obcecados pela questão da imigração”.
Macron pediu para que não se simplificasse a realidade política europeia e destacou que, até aquele momento, ninguém havia levantado o tema da imigração naquela reunião.
Macron também fez um apelo à colaboração mútua, sugerindo que ambos os líderes deveriam focar em dados e ciência para avançar nas discussões.
Em resposta à controvérsia gerada, Petro manifestou-se posteriormente em redes sociais, afirmando que Macron é um amigo e reconhecendo que suas declarações haviam sido um tanto provocativas, mas sublinhando a importância do debate global.
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