Quaest: apenas um terço dos deputados se considera base de Lula
Desarticulação da base foi exposta na aprovação do projeto que barrou o aumento do IOF
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2, aponta que apenas um terço dos deputados federais se considera da base aliada do governo Lula (PT).
Segundo o levantamento, 32% dos parlamentares da Câmara dos Deputados disseram se considerar de governo, enquanto 27% afirmaram ser independentes e 32%, de oposição.
Outros 9% não responderam.
Direita ou esquerda
Os deputados também foram questionados onde se classificariam em uma escala de direita a esquerda.
Ao instituto de pesquisa, 45% dos entrevistados disseram ser de direita, 25% de centro e 21% de esquerda. Ao menos 8% não responderam e 1% não se colocou em nenhum ponto da escala.
A pesquisa
Ao realizar a pesquisa, a Quaest ouviu 203 deputados entre 7 de maio e 30 de junho. A amostra corresponde a 40% dos parlamentares da Casa.
A margem de erro estimada é de 4,5 pontos percentuais.
O número de deputados entrevistados foi definido “segundo divisão da Câmara dos Deputados por região e grupo ideológico dos partidos com base no projeto Brazilian Legislative Surveys”.
O percentual de partidos na amostra seguiu o percentual de partidos na Câmara.
A base aliada
A aprovação do projeto que susta os efeitos dos decretos editados pelo governo para aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na quarta-feira, 25, expôs a desarticulação da base aliada do governo.
Como mostrou Crusoé na matéria “E agora, Gleisi”, os líderes partidários creditaram as derrotas recentes no Congresso não somente a Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, mas à articulação como um todo do Palácio do Planalto.
O calcanhar de Aquiles do governo Lula é o calendário de liberação das emendas parlamentares.
Em 50 dias, segundo a própria Secretaria de Relações Institucionais (SRI), foram pagos aproximadamente 410 milhões de reais em emendas parlamentares.
Para 2025, estão previstos 50 bilhões. A SRI se defende argumentando que, no mesmo período do ano passado, foi pago 1,1 milhão de reais. Ainda conforme o governo federal, a tendência é que boa parte destes recursos seja liberada no último trimestre.
“O problema continua sendo o Rui”
A questão, conforme argumentam líderes parlamentares, é que trocou-se o ministro da articulação política, mas a chave do cofre continua nas mãos de Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil.
“Na época do Padilha, o problema era o Rui; agora, com Gleisi, o problema continua sendo o Rui. Talvez se trocar o Rui melhore alguma coisa”, admitiu um líder governista sob condição de anonimato a Crusoé.
Algo que ficou claro — e esse recado já chegou aos ouvidos da SRI — é que os deputados não vão mais aceitar que o governo federal concentre o pagamento das emendas no final do ano.
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