Harvard violou direitos civis de estudantes judeus, conclui governo Trump
O governo dos EUA alertou que a não implementação de mudanças resultará "na perda de todos os recursos financeiros federais" de Harvard
O Escritório de Direitos Civis do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda-feira, 30, que a Universidade Harvard está “violando violentamente” a violou a lei dos Direitos Civis ao “agir com indiferença deliberada em relação ao assédio de estudantes judeus e israelenses por outros estudantes e professores, de 7 de outubro de 2023 até o presente”.
Em uma carta endereçada ao reitor de Harvard, Alan Garber, a pasta disse que Harvard “foi, em alguns casos, deliberadamente indiferente e, em outros, participou intencionalmente de assédio antissemita contra estudantes, professores e funcionários judeus.”
Eis os argumentos do Escritório de Direitos Civis que sustentam a conclusão de violação dos direitos dos estudantes judeus:
- “A maioria dos estudantes judeus relatou ter sofrido preconceito negativo ou discriminação no campus, enquanto um quarto se sentiu fisicamente inseguro.
- Estudantes judeus e israelenses foram agredidos e cuspidos; eles esconderam suas quipás por medo de serem assediados e esconderam sua identidade judaica dos colegas por medo do ostracismo.
- Imagens que traficavam temas antissemitas óbvios circularam amplamente entre a comunidade de Harvard, incluindo uma que mostrava um cifrão dentro de uma Estrela de Davi. O campus foi vandalizado com adesivos antissemitas, incluindo um que mostrava a bandeira israelense com uma suástica no lugar da Estrela de Davi.
- O campus foi devastado por manifestações que violavam flagrantemente as regras de conduta da universidade. As manifestações incluíam apelos ao genocídio e ao assassinato, e negavam acesso a estudantes judeus e israelenses aos espaços do campus.
- O coração do campus foi invadido por um acampamento inadmissível, com duração de várias semanas, que incutiu medo e interrompeu os estudos de estudantes judeus e israelenses. Pior ainda, os participantes do acampamento receberam uma disciplina frouxa e inconsistente — e, como a disciplina era revisada por níveis superiores do corpo docente, era frequentemente rebaixada . Ao final do processo, mesmo considerando apenas os alunos acusados, apenas uma fração recebeu algum tipo de punição, e nenhum foi suspenso. Um membro da própria liderança de Harvard chamou o processo disciplinar de ‘injusto’ e ‘incorreto’.”
Na carta, o escritório afirmou que a inação de Harvard diante das violações de direitos civis é “um exemplo claro da hierarquia demográfica que se apoderou da universidade”.
A pasta também alertou que a não implementação imediata de mudanças adequadas resultará “na perda de todos os recursos financeiros federais e continuará afetando o relacionamento de Harvard com o governo federal”.
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Cortes
A carta foi enviada a Harvard em um momento que o governo Trump intensifica a pressão sobre as universidades americanas.
Na semana passada, o reitor da Universidade da Virgínia, James Ryan, renunciou em meio às críticas do governo federal.
Em abril, Trump deu início a seguidas batalhas que enfrentaria contra diversas universidades americanas de primeira linha.
O republicano ficou incomodado com protestos antissemitas em campis.
Além disso, ele criticou as políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), anuladas por decreto logo no primeiro de seu mandato.
Trump chegou a classificar Harvard como uma “instituição antissemita e de extrema-esquerda”
Além da suspensão do repasse, o governo americano defendeu tributação como “entidade política”, em razão das manifestações políticas.
“Talvez Havard devesse perder seu status de isenção de impostos e ser tributada como uma entidade política se continuar promovendo essa ‘doença’ de cunho político, ideológico e inspirada/apoiadora do terrorismo”, escreveu Trump.
Com isso, a universidade entrou com um pedido liminar no tribunal federal de Massachussets para impedir o corte de 2 bilhões de dólares em fundos federais.
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