Leonardo Barreto na Crusoé: Lula contra Lula
Governo sacrifica o macro para atender grupos, e seus efeitos colaterais pioram a questão do preço dos alimentos e do aumento de impostos
Na média dos institutos de pesquisa, o governo tem por volta de 27% de avaliações “ótimo e bom”. De acordo com a literatura de Ciência Política, ele precisa ter por volta de 40% para poder ter mais chance de ser reeleito do que de ser substituído.
Conversando com um diretor de um instituto de pesquisas, que roda vários estudos todos os meses, ouvi que a situação negativa de Lula (foto) está cristalizada e os dados têm variado pouco desde que atingiram o atual patamar.
Quando perguntado sobre as razões que explicam esse estado de coisas, ele cita as três razões mais apontadas pelos entrevistados como justificativa pela má avaliação.
Impostos
A primeira é o aumento de impostos. Perguntei, curioso, se essa era realmente uma agenda popular, levando em conta que, no discurso do governo, quem está pagando pelo aumento recente da arrecadação seriam os mais ricos.
De bate-pronto, meu interlocutor respondeu que o governo pode até estar mirando agora os moradores da cobertura, mas começou tributando o pessoal do térreo ao aprovar a “taxa das blusinhas”.
A população não esqueceu e toda vez que o ministro Fernando Haddad sugere uma nova medida arrecadatória, a turma lembra quem perdeu logo na saída.
Promessas
A segunda razão também tem a ver com memória. Quando as pessoas são perguntadas sobre a principal promessa não cumprida do governo, o que vem à tona é a previsão de que o pobre voltaria a “tomar cerveja e comer picanha”.
No período eleitoral, a menção dos dois alimentos foi uma sacada genial de comunicação, especialmente em um ano particularmente…
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