Governo Lula segurou fila do INSS para conter gastos?
Devido ao represamento, o instituto acumula cerca de 2,6 milhões de requerimentos para a concessão de benefícios
O governo Lula (PT) segurou a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para conter a alta dos gastos com benefícios previdenciários e assistenciais, publicou a Folha de S.Paulo.
Segundo o jornal, os ministérios da Casa Civil, de Rui Costa, e da Fazenda, de Fernando Haddad, orientaram o instituto a utilizar o programa de enfrentamento à fila para priorizar processos de revisão de benefícios ou apuração de irregularidades.
Ofícios obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que as ações para reduzir filas “precisaram de enérgica moderação dada a prevalência do cenário de restrição orçamentária”.
A fila do INSS
O represamento de benefícios começou no segundo semestre de 2024.
Com a orientação, a fila de espera do INSS, que estava em tendência de queda, inverteu o sentido e escalou até chegar a 2 milhões de pedidos em dezembro.
Atualmente, há cerca de 2,6 milhões de requerimentos aguardando análise no instituto, que incluem pedidos de aposentadorias, pensões, licença-maternidade e benefícios por incapacidade ou assistenciais.
Carlos Lupi
O ex-ministro Carlos Lupi, que chefiava a Previdência Social na época da orientação, confirmou à Folha a priorização das revisões.
Lupi também disse ter ficado incomodado com a medida, mas negou responsabilidade.
“Quando é uma decisão governamental, a gente acata, ou sai [do governo]”, afirmou.
O que diz o governo Lula?
Em nome do governo federal, o Ministério da Previdência Social disse que a ideia de que o governo tenha represado a concessão de benefícios “é absolutamente infundada”.
A pasta afirmou ser “fantasiosa a tese” de que a contenção de benefícios traria efeitos sobre o desempenho fiscal e culpou “fatores absolutamente externos ao controle e ao desejo do governo”, como o atraso na votação do Orçamento de 2025, por frearem a redução das filas.
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