Gabriel Galípolo: uma grata surpresa
Resistindo a pressões do governo petista e do mercado financeiro, Gabriel Galípolo tem agradado especialistas
Desde que assumiu a presidência do Banco Central do Brasil em 1º de janeiro de 2025, Gabriel Galípolo tem se destacado positivamente no comando da política monetária, segundo agentes do mercado ouvidos pela reportagem.
Indicado por Lula, com direito a um vídeo elogioso ao lado do presidente e de Gleisi Hoffmann pouco antes de sua posse, o ex-diretor de Política Monetária do BC e ex-secretário-executivo da Fazenda enfrenta pressões políticas e do mercado financeiro com habilidade, mantendo a coerência com o mandato de domar a inflação e garantir a estabilidade econômica.
Galípolo assumiu o cargo em um cenário bastante desafiador, com a taxa Selic em 10,75% e projeções de inflação para 2025 em 4,96%, acima do teto da meta de 4,5%, segundo o Boletim Focus de dezembro de 2024.
Em meio a pressões globais, como a guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos, ele seguiu com os aumentos na taxa de juros assinalados ainda na gestão de seu antecessor, Roberto Campos Neto, adotando uma postura hawkish, isto é, priorizando o controle da inflação a custa de uma desaceleração do crescimento econômico.
Em sua audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em 22 de abril de 2025, Galípolo destacou a necessidade de ser o “chato da festa”, ajustando a Selic para conter a inflação, que revisões posteriores da Instituição Fiscal Independente projetaram em 5,5%. A taxa alcançou 15% agora em junho, conforme esperado por alguns analistas.
Apesar de sua proximidade com o PT e com o ministro da Fazenda Fernando Haddad, Galípolo demonstrou independência ao resistir a pressões tidas como eleitoreiras. Em maio de 2025, a crise do IOF expôs divergências com o Ministério da Fazenda, quando o BC foi surpreendido pelo aumento da alíquota, anunciado sem consulta prévia.
Na ocasião, o presidente do Banco Central criticou a medida, reforçando a autonomia garantida pela legislação de mandatos fixos da instituição e endossada por Lula, naquele vídeo que mencionei parágrafos acima, quando de sua posse.
O mercado financeiro, inicialmente cético devido ao perfil tido como desenvolvimentista de Galípolo, passou a reconhecer sua habilidade em manter uma política monetária restritiva. Só que 2026 sendo um ano eleitoral, ele certamente vai enfrentar desafios crescentes.
Pressões do governo por juros mais baixos para estimular a economia e críticas de aliados do PT, como já ocorreram de forma indireta, com figuras como Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias criticando as últimas decisões do BC nas redes sociais.
O próprio mercado financeiro, cujos anseios muita vezes pareciam ser mais ouvidos pela chefia da gestão anterior do BC, também teve que se reacomodar diante dessa nova realidade, mais refratária a pressão de seus agentes.
Esse cenário desafiador deve se intensificar, testando a capacidade de Galípolo em manter a independência do BC em um ambiente politicamente carregado, enquanto equilibra as expectativas do mercado, a falta de um maior controle fiscal do governo, que gasta mais do que arrecada, e os impactos de incertezas internacionais.
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Comentários (2)
MARCOS
25.06.2025 10:16GABRIEL NÃO É PETISTA. ELE É MUITO ESPERTO POIS SE ELE ATENDE AOS NEFASTOS ANSEIOS DO EX-PRESIDIÁRIO E SUA GANGUE, IRIA SE "QUEIMAR" NO MERCADO E NUNCA MAIS SERIA CONTRATADO POR EMPRESAS OU INSTITUIÇÕES SÉRIAS. ELE TÁ FAZENDO O NOME DELE. CORRETÍSSIMO.
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
25.06.2025 10:15Até que enfim BC verdadeiramente independente e alheio ao déspota de plantão.