‘Abin Paralela’ monitorou partido de Witzel, aponta PF
Relatório indicou existência de um "colaborador" vinculado ao partido do ex-governador do Rio de Janeiro
O relatório final da Polícia Federal (PF) da investigação sobre a chamada ‘Abin Paralela’ apontou que a estrutura paralela – usada para espionagens ilegais com “fins políticos” – monitorou o partido do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel.
De acordo com o documento, a agência recrutou um colaborador ligado ao escritório do PSC, que era o partido de Wilson Witzel na época.
No entendimento da PF, o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, teria recrutado a “fonte humana” para “monitorar” clandestinamente opositores políticos da sigla do ex-governador do Rio.
Em contrapartida, o então colaborador foi nomeado, em março de 2020, como assessor técnico do Gabinete Regional do Rio de Janeiro da Presidência da República.
“Nos termos das anotações destacadas de Ramagem, a fonte humana teria sido recrutada para fins políticos com o objetivo de monitorar de forma clandestina opositores Witzel, Gussem [Procurador-Geral do Ministério Público do Rio de Janeiro]. A contrapartida para ‘fonte humana’ [motivação] pelas informações repassadas à Orcrim [organização criminosa] em umas das tarefas direcionadas para obtenção de vantagens de ordem política, nos termos do arquivo “Análise Primeiro Contato.docx”, seria a obtenção de cargo público ‘junto ao grupo político vinculado ao Presidente da República’”, afirma a PF.
Segundo a PF, uma das “informações estratégicas” repassadas pelo colaborador teria revelado que o PSC estava articulando o fortalecimento político da sigla para lançar Witzel como candidato à Presidência da República.
“O ‘colaborador’ teria apresentado a seguinte ‘nformação estratégica’, em suma: o grupo político no Rio de Janeiro liderado pelo Pastor Everaldo (Presidente do PSC nacional) e seu filho Filipe de Almeida Pereira estaria articulando para fortalecer seu espaço político nos cenários estadual e nacional com o objetivo de lançar o então Governador Wilson José Witzel para concorrer ao cargo de Presidência da República”, diz trecho do relatório.
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