Já não se fazem pais como antigamente?
A percepção da paternidade vem mudando mas o envolvimento paterno oferece ganhos psicológicos significativos para os homens
Foi-se o tempo em que ser pai significava prover e contribuir com o desenvolvimento dos filhos. Gostemos ou não, a experiência da paternidade vem mudando. Mas para melhor. Estudos recentes demonstram que a interação entre pais e filhos é mutuamente benéfica em níveis até mesmo neurológicos. Ser pai mexe com a cabeça dos homens. Literalmente.
A transformação neural da paternidade
Neurocientistas descobriram que o cérebro de um homem pode ser “reprogramado” ao se tornar pai, experimentando uma “revitalização neural” que, em contrapartida, beneficia diretamente os filhos. Lawrence R. Samuel afirma que, “quando os homens se tornam em pais, experimentam uma revitalização neural que favorece seus filhos”. Um vínculo bioquímico, similar ao estabelecido entre mães e fetos durante a gravidez, forma-se rapidamente entre pais e filhos após os primeiros dias do nascimento.
Mais especificamente, o cérebro dos pais é adaptado para reagir a qualquer ameaça ao conforto e à sobrevivência de seus bebês, impulsionado, em parte, pela ocitocina, o “hormônio do amor”. Pesquisas neurocientíficas indicam uma função cerebral simbiótica entre pais e bebês, onde cada um se beneficia da influência cognitiva do outro.
Há cada vez mais evidências de que os homens chegam a desenvolver novos neurônios após se tornarem pais, um mecanismo que estabelece uma conexão emocional duradoura. Surpreendentemente, o cérebro paterno adapta sua produção hormonal e sua atividade neural conforme as responsabilidades parentais, alternando entre redes voltadas para o vínculo social e a vigilância, e aquelas projetadas para planejamento e pensamento estratégico, dependendo da situação.
Ganhos psicológicos e a realização de ser pai
Além das mudanças cerebrais, a paternidade oferece outros ganhos emocionais e psicológicos que se correlacionam diretamente com o nível de envolvimento do pai na vida dos filhos. Em 1989, Marjory Roberts publicou na Psychology Today os resultados de um estudo longitudinal com mais de 200 pais, indicando que a experiência de ser pai era psicologicamente positiva, contribuindo para o desenvolvimento de maior empatia e compaixão. Essa descoberta se alinha à teoria da “generatividade” de Erik Erikson, que sugere que os humanos atingem a maturidade plena ao impulsionar a vida das crianças de alguma forma.
Contrariando crenças populares, o estudo também revelou que as carreiras dos homens não são prejudicadas ao se tornarem pais. Os filhos, por sua vez, beneficiam-se imensamente da presença paterna engajada, tornando-se adultos mais confiantes, maduros e autônomos. Os psicólogos Joseph Pleck, John Snarey e Anthony Maier descreveram a paternidade como uma experiência “ganha-ganha” e, para Snarey, que não me leiam as feministas, “o papel do pai é tão importante quanto o da mãe”.
A vivência pessoal também corrobora esses achados. Richard Taylor, professor de filosofia já aposentado, comentou sua experiência de ter um filho em idade razoavelmente avançada. A falta de interesses competitivos, somada à sabedoria adquirida ao longo da vida, permitiram que ele “focar inteiramente na esposa e no bebê”, resultando em uma nova forma de amor que ele descreveu como “realização”. Enquanto os benefícios psicológicos de receber amor incondicional de um filho são bem documentados, Taylor destacou a recompensa transformadora de dar esse mesmo tipo de amor.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)