China amplia domínio sobre Myanmar e pressiona preços internacionais de celulares a automóveis

30.09.2026

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O Antagonista
China amplia domínio sobre Myanmar e pressiona preços internacionais de celulares a automóveis
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Alexandre Borges
5 minutos de leitura 12.06.2025 13:43 comentários
Mundo

China amplia domínio sobre Myanmar e pressiona preços internacionais de celulares a automóveis

Grupo armado aliado ao governo chinês assume controle de minas de minerais estratégicos e pressiona cadeias globais de tecnologia

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Alexandre Borges
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China amplia domínio sobre Myanmar e pressiona preços internacionais de celulares a automóveis
Foto: Reprodução

Uma milícia armada ligada ao governo chinês assumiu o controle de novas áreas de mineração no leste de Myanmar, onde são extraídos minérios com alto teor de elementos indispensáveis para a fabricação de tecnologias modernas, como celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares.

A United Wa State Army, grupo paramilitar com cerca de 30 mil combatentes, atua como força de segurança dessas minas em regiões próximas à fronteira com a China.

A operação envolve centenas de trabalhadores que atuam em turnos contínuos para manter o fornecimento dos minérios rumo ao território chinês.

Embora seja o maior produtor mundial desses elementos, o governo chinês depende de países vizinhos como Myanmar para complementar seu abastecimento.

Entre janeiro e abril deste ano, cerca de metade dos minérios refinados na China com esse perfil estratégico tiveram origem em território birmanês.

A China concentra quase 90% da capacidade global de refino — etapa que transforma os minérios em insumos prontos para a indústria tecnológica.

Esse domínio impacta diretamente o consumidor brasileiro.

O preço do óxido de térbio, por exemplo, subiu 27% nos últimos seis meses, pressionando os custos de produção de veículos elétricos e outros produtos importados.

O reflexo tende a ser sentido no varejo nacional, especialmente em setores de tecnologia e transporte.

O Brasil, embora possua a segunda maior reserva mundial desses minerais, com cerca de 21 milhões de toneladas mapeadas, ainda não desenvolve capacidade industrial para explorar e processar esses recursos.

O controle do governo chinês sobre novos polos de extração em zonas de conflito acentua a vulnerabilidade global e reforça a urgência de uma estratégia brasileira para soberania mineral e industrialização.

O uso de milícias locais como representantes indiretos do governo chinês, em um cenário de guerra civil, escapa à regulação internacional e amplia o controle da China sobre o mercado.

Para o Brasil, manter-se à margem desse debate significa aceitar a escalada de preços e a dependência de um único fornecedor global.

Perfeito. Aqui está o trecho complementar com intertítulo, seguindo o estilo jornalístico, linguagem direta e foco na atualidade:

Situação política atual em Myanmar

Myanmar permanece em colapso institucional desde o golpe militar de fevereiro de 2021.

O país vive uma guerra civil prolongada, com o governo militar controlando menos de 40% do território, segundo estimativas de organizações internacionais.

Milícias pró-democracia e grupos étnicos armados dominam grandes regiões do interior.

A repressão segue intensa: mais de 22 mil presos políticos continuam detidos, entre eles a ex-líder Aung San Suu Kyi.

Há mais de 6.600 civis mortos desde o início do conflito, e os militares são acusados de crimes de guerra.

A crise humanitária se agravou com o terremoto de março, que matou milhares e dificultou ações de ajuda.

Mais de 3 milhões de pessoas estão deslocadas internamente.

A economia encolheu, a pobreza aumentou e o recrutamento militar obrigatório acelerou o êxodo da população jovem.

Mesmo com tentativas de cessar-fogo mediadas pela ONU e pela ASEAN, os confrontos continuam em várias regiões.

Isolada internacionalmente, a junta mantém apoio estratégico da China e da Rússia.

A aliança com o governo chinês é considerada essencial para a sobrevivência do regime, inclusive no plano simbólico: a celebração dos 75 anos de relações diplomáticas entre os dois países ignorou a crise interna e reforçou a retórica de estabilidade, apesar do colapso real do Estado birmanês.

Diplomacia encenada

A celebração dos 75 anos de relações diplomáticas entre China e Myanmar (foto) foi marcada por eventos oficiais, declarações públicas e slogans como “paukphaw friendship”, termo inventado para sugerir irmandade entre os dois países.

Por trás da fachada fraternal, o que se vê é um arranjo assimétrico, baseado em conveniência estratégica e na manutenção do poder da junta militar.

Em troca de apoio diplomático, proteção na ONU e investimentos em infraestrutura, o governo birmanês entrega ao governo chinês controle de territórios, recursos e influência política.

A China, por sua vez, mantém diálogo paralelo com grupos armados étnicos como a United Wa State Army, para garantir acesso a regiões estratégicas, rotas comerciais e projetos bilionários.

Enquanto os militares celebram a soberania em eventos oficiais, perdem território para organizações armadas.

E enquanto o governo chinês projeta imagem de estabilidade, consolida uma rede de influência que ignora a população local, afetada por deslocamentos forçados, confisco de terras e exclusão política.

A diplomacia entre China e Myanmar serve mais aos interesses de manutenção de poder do que à paz.

Em vez de apoiar uma transição democrática, o governo chinês sustenta o plano da junta de realizar eleições sob controle militar, um gesto que, para a sociedade birmanesa, aprofunda a repressão e a ilegitimidade do regime.

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Alexandre Borges

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