Diário revela motivação ideológica em assassinato do CEO da UnitedHealthcare
Luigi Mangione planejou crime com meses de antecedência e escreveu que “tinha que ser feito”
O diário de Luigi Mangione, preso pelo assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, foi incluído nesta semana como peça central da acusação criminal movida pela promotoria de Nova York.
O documento, apreendido durante sua prisão em dezembro de 2024, revela um planejamento meticuloso e motivações ideológicas dirigidas contra o setor privado de saúde nos Estados Unidos.
Thompson foi executado com três tiros nas costas na manhã de 4 de dezembro, em frente ao hotel Hilton Midtown, em Manhattan, pouco antes de participar de uma conferência com investidores.
Mangione fugiu e foi preso cinco dias depois na Pensilvânia, portando uma arma, um silenciador e o caderno vermelho em que detalhava suas intenções.
Nas anotações, Mangione descreve as seguradoras de saúde como um “cartel letal movido pela ganância” e afirma que eliminar um executivo seria uma forma de “transmitir uma mensagem”.
Ele relata que cogitou atacar a sede da UnitedHealthcare, mas optou por agir durante o evento anual de investidores, que descreveu como “símbolo do que há de errado com o sistema de saúde”.
O diário também revela que Mangione admirava Ted Kaczynski, o Unabomber, embora rejeitasse seus métodos indiscriminados.
Segundo ele, a execução de Thompson seria uma ação “direcionada, precisa e que não colocaria inocentes em risco”. Em carta anexa, endereçada a autoridades federais, escreveu: “tinha que ser feito”.
A promotoria considera o assassinato um ato de terrorismo doméstico e argumenta que foi cometido com o objetivo de intimidar um setor da economia e provocar instabilidade.
Após o crime, dezenas de executivos do setor contrataram segurança privada, e ao menos dois deixaram seus cargos.
Mangione responde a acusações estaduais e federais de homicídio e terrorismo, e pode ser condenado à prisão perpétua ou à pena de morte.
Ele se declarou inocente. A defesa tenta excluir o diário do processo, alegando que foi obtido sem mandado válido.
O caso provocou reações divididas. Grupos organizam protestos e arrecadam recursos para sua defesa, enquanto pesquisas mostram que parcela expressiva da juventude norte-americana simpatiza com o réu.
Campanhas de financiamento coletivo para a defesa de Mangione, que é um herdeiro rico, já ultrapassaram US$ 1 milhão.
O Antagonista publicou em março uma reportagem detalhada sobre a transformação de Mangione em símbolo de militância entre setores da esquerda radical nos Estados Unidos.
- Leia mais:
“O culto a Luigi Mangione: de assassino a ícone da esquerda radical” oantagonista.com.br/mundo/o-culto-a-luigi-mangione-de-assassino-a-icone-da-esquerda-radical
“PSOL quer lei para blindar funkeiros acusados de ligação com crime organizado” https://oantagonista.com.br/brasil/psol-quer-lei-para-blindar-funkeiros-acusados-de-ligacao-com-crime-organizado/
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